Curitiba - Desde ontem é possível reservar ações da Petrobras no processo de capitalização. Quem já tinha papéis da estatal entra no grupo dos investidores prioritários e pode manifestar o interesse na compra até a próxima quinta-feira. Para as pessoas que ainda não são acionistas da companhia, o prazo vai até o dia 22 deste mês.
A recomendação unânime dos especialistas da área financeira é cautela em relação a aquisição das ações. O investimento é recomendado para quem pretende deixar o dinheiro aplicado no médio e longo prazo, ou seja, no mínimo cinco anos. Uma das dicas principais é não aplicar todos os recursos na petrolífera em função do risco de oscilações que a cotação do papel pode sofrer, até porque o pré-sal dará retorno dentro de alguns anos.
''Se a pessoa não tem estômago para aguentar as oscilações da Bolsa de Valores é melhor não comprar as ações'', disse o consultor financeiro Raphael Cordeiro. A sugestão dele é não aplicar todos os recursos na Petrobras, mas ter no mínimo cinco empresas na carteira de ações e que sejam companhias de setores diferentes.
A recomendação é ler o prospecto que traz os fatores de risco da Petrobras que cita, inclusive, a possibilidade de ingerência do próprio governo federal. Ele destacou ainda que a companhia passa por polaridades extremas e tem fatores de risco acima da média.
Os papéis da Petrobras também podem ser comprados por meio de fundos de ações que são interessantes para quem não quer se arriscar diretamente neste mercado. No entanto, a escolha depende da qualidade do fundo, da gestão e do valor da taxa de administração.
A decisão de aplicar ou não na Petrobras ''depende do perfil da pessoa e do perfil do dinheiro'', disse Cordeiro. Ele destacou que não adianta comprar papéis da estatal se a pessoa vai usar o recurso dali seis meses para trocar de carro, por exemplo.
A compra das ações pode ser feita por corretora. A maior parte delas cobra taxa de custódia que varia de R$ 10 a R$ 30 por mês para que o investidor possa ter conta na Câmara Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC) e a taxa de corretagem que é descontada na venda da ação é a partir de 0,5% aplicada sobre o capital.
O presidente do conselho consultivo do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (Ibef), José Écio Pereira da Costa Junior, aconselha a quem já tem ações da empresa a comprar na mesma proporção para preservar o seu capital.
''Quem não é acionista tem que pensar que é um investimento de médio e longo prazo'', disse. Ele destacou que, neste ano, as ações ordinárias da companhia caíram 26% e as preferenciais 25%. Para as pessoas que tinham adquirido ações da Petrobras em 2000 com recursos do FGTS ele recomenda que façam a compra. Neste caso, é possível usar até 30% do saldo do fundo nestes papéis.
Costa Junior destacou que há outras ações bem negociadas na bolsa com menos oscilação que poderiam fazer parte da escolha do investidor.
A empresa vai emitir as ações porque pretende investir US$ 224 bilhões entre 2010 e 2014, sendo US$ 33 bilhões no pré-sal e não tem como pagar novos empréstimos porque sua dívida equivale a quase 35% do patrimônio.

mockup