São Paulo - A movimentação com as opções de ações Petrobras vem sinalizando para o mercado que a oferta está prestes a sair, conforme o cronograma apresentado até agora pelo governo que trabalha com a data de até 30 de setembro. Segundo uma fonte que opera esses contratos, nos últimos dias a volatilidade das opções se descolou do comportamento das ações no mercado à vista, mostrando uma mudança de parâmetro dessas operações. O preço absoluto das opções subiu muito mais do que a cotação dos papéis no mercado à vista.
Um experiente profissional disse que um movimento semelhante no mercado de opções de Petrobras foi observado próximo do anúncio da descoberta de Tupi em novembro de 2007. Naquele mês, o exercício de opções sobre ações ocorreu no dia 19 e movimentou R$ 4,6 bilhões - o terceiro maior da série histórica. Cinco séries de compra de Petrobras lideraram o exercício daquele dia, movimentando R$ 3,2 bilhões.
O próximo exercício acontece em 20 de setembro e a expectativa é de que o prospecto preliminar da oferta seja colocado no mercado no dia 16 ou 17 do mês que vem, embora os investidores já tenham comprado a ideia de que a decisão sobre a data final será do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O último vencimento de opções sobre ações foi no último dia 16 e movimentou R$ 3,697 bilhões, com destaque para as opções de venda de Net ON, a R$ 24,50, que girou R$ 434 milhões por conta da oferta pública para comprar 100% das ações PN da companhia anunciada pela Embratel.
Nos últimos exercícios, os investidores privilegiaram outros contratos de opções, como Vale, OGX e BM&FBovespa, aliviando um pouco as posições em Petrobras. É que o mercado brasileiro de opções opera majoritariamente com contratos de compra, com os investidores apostando na alta do papel. As incertezas sobre o preço do barril que será cedido onerosamente pela União à Petrobras e a indefinição da data da operação vêm derrubando o preço das ações da estatal na Bolsa. Assim as apostas de valorização foram direcionadas para outros papéis.
No entanto, nos últimos dias, com o noticiário sinalizando um desfecho sobre a capitalização e com a empresa batendo o pé na data de até 30 de setembro para a operação, aumentou muito a movimentação com as opções da empresa. São mais de 40 milhões de contratos negociados por dia para o vencimento de setembro.
No ano, Petrobras PN e ON acumulam queda de cerca de 27%, mas, o comportamento recente das opções sinaliza que tem muita gente apostando na alta das ações tão logo saia o prospecto preliminar da oferta. Houve muitas discussões pelas mesas de operação sobre qual seria o preço do barril da cessão onerosa capaz de inverter a tendência de queda das ações da estatal. Para alguns profissionais, o valor de US$ 8,50 informado na última quinta-feira pela reportagem já estaria precificado e que os papéis reagiriam mais forte, a princípio com queda, se o valor superasse os US$ 10.
Outra observação de quem acompanha de perto os papéis de Petrobras no mercado acionário é que boa parte da movimentação de venda das ações tem sido feita por investidores estrangeiros, que operam majoritariamente ADRs de ações ON em Nova York. Isso pode ser observado a partir da redução da diferença de preços entre as ações ON e PN da empresa. Os papéis ON sempre foram mais caros que PN e uma das justificativas é a própria demanda estrangeira. A média da diferença de preço entre as duas ações de 2008 até hoje mostra a ON 19% mais cara do que a PN. Em abril do ano passado essa diferença era de 27%. Hoje, a ON está apenas 13% mais cara que PN.

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