Ações da Inepar são destaque de 2ª linha
Ações da Inepar são destaque de 2ª linha
Papéis da empresa têm valorização bem acima da média na Bolsa de Valores de São Paulo, mas ainda estão longe de ser blue chip
Luis Lomba
As ações da Inepar devem continuar como uma das estrelas dos papéis de segunda linha nas Bolsas de Valores, mas está longe de ser a nova Telebrás, como sugere matéria publicada esta semana em um jornal paulista. Esta é a opinião de boa parte do mercado em Curitiba. Apesar da valorização muito acima da média de suas companheiras na Bolsa de Valores de São Paulo (57,3% este ano, contra 10% da média das 52 ações que compõem o Ibovespa), as bruscas variações ainda mantêm muitos investidores longe de Inepar PN. É um ótimo papel para quem gosta de riscos, diz um corretor.
É um papel interessante. Os administradores (da empresa) gostam de dar grandes tacadas, assumindo riscos, por isso o papel é volátil, sobe e desce muito, diz outro agente do mercado em Curitiba. Ele destaca que a empresa costuma atuar alavancada, usando todos os recursos disponíveis para se expandir, o que eleva o risco do investimento.
Alguns corretores consideram até que Inepar PN já teve seus melhores momentos, entre maio e julho do ano passado, quando valorizou 161% em dois meses, embalada nas boas perspectivas de a empresa conquistar uma ampla participação nos negócios de telefonia via Banda B e pelo impacto do Projeto Iridium, que vai oferecer serviços de telecomunicações a partir de uma rede de 66 satélites em órbita.
Naquela época, o volume de ações negociadas explodiu, passando de R$ 3.800.000,00 em abril de 1997 para R$ 128.445.000,00 em julho de 1997. De qualquer forma, este volume jamais chegou perto do movimentado por Telebrás, que negociou em julho nada menos que R$ 9.756.000.00,00 nas Bolsas, 76 vezes mais que Inepar.
Foi também naquela época que o mercado lançou as opções para ações da Inepar. Como as cotações variavam muito, percebeu-se que dava para especular em cima, lembra um corretor. Apesar de terem sido lançadas pelo próprio mercado, e não pela empresa, as opções da Inepar ainda não têm grande liquidez, nem há indicações de que venham a ter no curto prazo. Aponta-se Petrobrás, Eletrobrás e Telesp como sucessoras da Telebrás na grande liquidez, informa um corretor.
Pelo preço de fechamento de ontem (R$ 1,53, com queda de 1,83%) o valor de mercado da Inepar é de R$ 547 milhões. Para ter uma idéia de quão longe o papel está de ser uma blue chip, Telebrás vale R$ 44,228 bilhões nas bolsas.
Considerando o perfil da administração da Inepar, seus proprietários devem ter no cofre o mínimo de metade das ações mais uma, o suficiente para garantir o controle e liberar recursos para a expansão dos negócios. Se esta hipótese for correta, a empresa deve ter perto de 270 milhões em ações nas bolsas. Em 1997, o volume de negócios com esses papéis chegou a R$ 546.405.000,00 com 42.850 negócios. Este ano já houve 246.067 negócios, que movimentaram R$ 95.130.156,00.





