Curitiba As ações da Companhia Paranaense de Energia (Copel) despencaram ontem no índice Bovespa, em São Paulo, e também na Bolsa de Nova York, onde elas são negociadas. Em São Paulo, a queda foi de 5,7% para as ações PN (preferenciais) e de 3,71% nas ações ON (ordinárias), com direito a voto. Na Bolsa de Nova York, os papéis da Copel caíram 6,88%.
A queda foi um reflexo imediato à desautorização dos reajustes nas tarifas de energia elétrica da Copel. Os analistas de mercado criticaram a decisão e atribuiram à ''ingerência política'' do governador Roberto Requião nas decisões da diretoria da empresa. Para os analistas paulistas, o recuo na autorização do reajuste foi denominado de ''risco requião''.
A agência internacional de avaliação de risco Merrill Lynch também divulgou comunicado, criticando o governador do Paraná. Para a agência, a declaração do governador desautorizando o reajuste aumenta o nível de incerteza acerca da empresa e prejudica os esforços do governo federal para atrair investimentos ao setor elétrico.
De acordo com o analista Ricardo Morais Filho, da corretora de Curitiba Spirit, a Copel é uma empresa altamente competitiva e profissionalizada e não pode se submeter à ingerência política. Segundo ele, os investidores ficam inseguros e desistem de investir na empresa. Para o analista Mohamed Talah Júnior, da agência Century Investimentos, de Curitiba, quando os investidores desistem do papel de uma empresa de companhia aberta, ela vai pagar mais caro para se financiar no mercado.
Com isso, quem vai pagar na frente é o próprio contribuinte, disse o analista. Isso porque quando a empresa tiver que recorrer ao lançamento de papéis para financiar investimentos, o mercado vai pedir taxas de juros mais altas. Se não fizer os investimentos necessários, a Copel corre o risco de ficar sucateada como já aconteceu com outras estatais, disse o analista.
O recuo na decisão da Copel em reajustar as tarifas de energia elétrica em 15,27%, em três parcelas, foi considerado um ''balde de água fria'' no clima de otimismo em relação à Copel no mercado acionário. As ações da empresa vinham se recuperando após as boas notícias como a renegociação do contrato com a Companhia de Interconexão Energética (Cien) e com o lucro de R$ 266 milhões registrado no primeiro semestre.
No final da tarde de ontem, a Agência Estadual emitiu uma nota oficial do governador sobre o assunto. De acordo com a assessoria, não é verdade que Requião não se preocupa com o reflexo dos papéis da Copel nas bolsas de valores. Segundo a assessoria, o governador vem demonstrando preocupação com os níveis de inadimplência da empresa, da ordem de R$ 180 milhões, há cerca de dois meses. Para reverter essa situação, decidiu transformar o reajuste de 25,27% nas tarifas de energia elétrica autorizados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) em descontos para quem pagar as faturas em dia.
Além disso, Requião se empenhou também na renegociação do contrato da Copel e Cien, cujo resultado foi favorável à empresa com o cancelamento do pagamento de R$ 750 milhões por ano. Na renegociação, a Copel vai pagar R$ 312 milhões. O contrato original com a Cien e o nível de inadimplência é que representam ameaças reais ao futuro da companhia e poderiam prejudicar os papéis, destacou a assessoria.

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