Curitiba - As ações da Copel negociadas na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) desabaram ontem. A queda foi provocada pela insatisfação dos acionistas com a decisão do governador Roberto Requião (PMDB) em transformar o aumento da energia elétrica concedido pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) em desconto para o consumidor que pagar em dia ou quitar, de uma só vez, débitos atrasados. Houve queda no preços das ações da Copel também nas Bolsas de Nova York e no Latibex, em Madri, na Espanha, onde os papéis também são negociados.
Segundo analistas, o mercado acredita que o governador tem uma ''carta na manga'' e vai compensar o desconto com um crédito que o Paraná deverá receber do governo federal nos próximos meses, de aproximadamente R$ 500 milhões. O Estado tem créditos de Imposto sobre Circulação de Mercadoria e Serviços (ICMS) a receber junto à Eletrobrás, na venda de energia para outros estados.
Os créditos já foram reconhecidos pelo Ministério das Minas e Energia na gestão anterior, mas não foram pagos ainda. Uma das soluções para que o desconto na tarifa não cause impacto no balanço da empresa pode ser a compensação com os créditos. O mercado acredita que esse assunto entrou em pauta na conversa que o governador Requião teve com a ministra Dilma Roussef, na última quinta-feira em Brasília.
No início do pregão de ontem, na Bosa de Valores de São Paulo, os papéis chegaram a cair 9%, mas no final do dia fecharam em queda de 3,3%, sendo que a ação AN estava valendo a R$ 6,44 o lote de mil. As ações preferenciais fecharam a R$ 8,63 o lote de mil, com queda de 3,68%. A queda foi interrompida porque os preços das ações ficaram muito baratas ao longo do dia e os acionistas retornaram ao pregão para recomprar os papéis.
Para analistas de mercado, o cancelamento do reajuste representa uma quebra de contrato e os acionistas não aprovam esse tipo de procedimento. Os acionistas temem a descapitalização da empresa e o impacto de uma medida como esta nos resultados que serão apresentados no balanço. Outra insatisfação dos acionistas é com a transformação dos créditos que a Copel tem direito em desconto para o consumidor, ao invés de transformá-los em dividendos.

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