Arquivo FolhaVenda necessáriaGionédis: dinheiro para contrapartida aos financiamentos internacionaisO governo do Estado conseguiu ontem vender as ações da Copel com um ágio de 6,47%. As ações preferenciais do tipo ‘B’ foram arrematadas por R$ 14,15 o lote de mil. O preço inicial fixado pela Comissão de Valores Mobiliários era de R$ 13,29. A Secretaria da Fazenda comemorou a obtenção de ágio na operação. Por causa da baixa valorização das ações no mercado financeiro, havia uma expectativa de vender os papéis pelo preço mínimo.
Os dois principais arrematadores das ações foram a corretora Liberal e o banco Bozano Simonsen. A Liberal comprou 3 bilhões de ações, enquanto o Bozano Simonsen ficou com 2,9 bilhões. O terceiro maior arrematador foi o Banco Garantia com a compra de 1,1 bilhão de ações. Todos adquiriram os papéis quando a cotação estava em R$ 14,15. O lote ofertado era de 9 bilhões.
As ações estão em baixa desde novembro do ano passado, quando houve a crise asiática. De lá para cá, as ações da Copel tiveram uma queda e em seguida uma recuperação no mercado. Em janeiro, a cotação foi de R$ 13,68 na Bolsa de Valores de São Paulo. O preço do lote de mil ainda está bem abaixo dos valores praticados em julho do ano passado. No último leilão de julho, o lote de mil foi arrematado por R$ 21,72.
Mesmo com ações em baixa, o governo insistiu na venda para conseguir captar dinheiro para dar como contrapartida aos financiamentos internacionais. O secretário da Fazenda, Giovani Gionédis, disse que o governo sabia que não iria ter muito ágio nesta operação, mas havia necessidade de conseguir o dinheiro. ‘‘Temos que dar a contrapartida para os programas Paraná 12 Meses e Proem (Programa de Apoio ao Ensino Médio)’’, afirmou. A primeira parcela vence em março.
Gionédis lembrou que as ações renderiam cerca de R$ 100 milhões se fossem vendidas pelo preço mínimo. Com o ágio, o governo conseguiu captar R$ 127,3 milhões, dois a mais do que precisaria para a contrapartida. Todo o montante vai financiar os projetos do governo, que têm financiamentos internacionais.
Assim como o secretário da Fazenda, o governador Jaime Lerner também enfatizou a necessidade de fazer a operação. Ainda sem ter conhecimento dos números, Lerner disse que iria ‘‘fazer uma avaliação do resultado’’. ‘‘Acho que trabalhamos com cuidado com nossos ativos. Os recursos serão bem aplicados para assegurar a contrapartida dos financiamentos’’, disse.
O Paraná 12 Meses - projeto voltado à pequena propriedade rural - é de R$ 353 milhões. Deste total, R$ 175 milhões precisam ser investidos pelo governo. O restante é do Banco Mundial. Gionédis disse que o Estado já reservou R$ 125 milhões.
As ações colocadas à venda representam 6,99% do capital preferencial da Copel e 3,28% do capital total. O capital social subscrito e integralizado da Copel é de R$ 1,1 bilhão (273,6 bilhões de ações).
O governo do Estado detém 60% das ações ordinárias da Copel. A empresa Paraná Investimento tem 25,03%. Entre as ações preferenciais, o governo controla 28,33% das ações e em custódia nas Bolsas há 69,95%.

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