Ações da Agricultura vão revolucionar, diz Tiburcio
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quarta-feira, 15 de janeiro de 1997
Egidio Brizola 
Tomando como exemplo o que ocorreu com o café, o ex-secretário estadual da Agricultura e ex-presidente da Sociedade Rural do Paraná José Carlos Tiburcio acredita que Londrina poderá novamente mudar a agricultura no Paraná. A nova revolução será a municipalização da agricultura, afirma, referindo-se à disposição do prefeito Antonio Belinati em prestigiar o setor.
Segundo Tiburcio, essa mudança começou a ser sentida quando o prefeito recuou da idéia de extinguir a pasta, chamou lideranças do segmento para opinar e depois convocou o empresário Samir Cury para assumir. Isto prova a vontade de Belinati. Samir poderia ser apenas mais um secretário, mas não é. Ele tem capacidade e experiência, vem de um período como diretor e presidente interino da Sociedade Rural do Paraná, e pensa de forma moderna, diz.
O ex-presidente da SRP aponta que a filosofia do novo secretário confere com a do prefeito e com a do segmento: Samir sabe que não há mais espaço, seja na administração pública ou na administração privada, para fazer as coisas a qualquer custo.
A indicação mostrou a força do setor. Iapar, Embrapa, Associação dos Agrônomos, estimulados pela Rural, interferiram inteligentemente para a manutenção da secretaria e na escolha de Samir, lembra.
Sozinha, a Emater
não consegue fazer
difusão técnica
adequada no Paraná
Para Tiburcio, o trabalho de transformação que será iniciado agora vai estimular a agroindústria, fazer o agrobusiness e expandir a fruticultura - pois este conjunto tem valor agregado e gera empregos. Samir tem bons projetos, acrescenta.
Para tanto - aponta Tiburcio - o secretário saberá usar muitos recursos, muitos equipamentos, muitas cabeças, muita tecnologia disponível. Um apoio que ele considera importante é o Centro de Difusão da Fruticultura, que Tiburcio trouxe para Londrina quando foi secretário da Agricultura do Estado.
Com este conjunto - aponta o empresário - a municipalização da agricultura, com cada município resolvendo seus próprios problemas, será possível. Este é o caminho necessário, este é o futuro do Paraná e do Brasil, afirma. Segundo Tiburcio, o Paraná, com mais de 400 mil propriedades rurais com áreas de até 100 hectares, não pode mais continuar um Estado que dispõe apenas da Emater para prestar assistência técnica ao campo. A Emater não aguenta. Cada um dos seus mais ou menos 1.000 técnicos tem a cota de atender 400 propriedades - o que é um serviço impossível.
O ideal é como em Israel ou na Holanda, onde há um técnico para cada grupo de 40 produtores. Lá eles passam tecnologia por irradiação aos demais, com custo, e não a qualquer custo, aponta, comparando: No Paraná e no Brasil, a difusão técnica no campo é genérica, e não é possível nem uma avaliação superficial de resultados de absorção por parte dos produtores.


