Tomando como exemplo o que ocorreu com o café, o ex-secretário estadual da Agricultura e ex-presidente da Sociedade Rural do Paraná José Carlos Tiburcio acredita que Londrina poderá novamente mudar a agricultura no Paraná. ‘‘A nova revolução será a municipalização da agricultura’’, afirma, referindo-se à disposição do prefeito Antonio Belinati em prestigiar o setor.
Segundo Tiburcio, essa mudança começou a ser sentida quando o prefeito recuou da idéia de extinguir a pasta, chamou lideranças do segmento para opinar e depois convocou o empresário Samir Cury para assumir. ‘‘Isto prova a vontade de Belinati. Samir poderia ser apenas mais um secretário, mas não é. Ele tem capacidade e experiência, vem de um período como diretor e presidente interino da Sociedade Rural do Paraná, e pensa de forma moderna’’, diz.
O ex-presidente da SRP aponta que a filosofia do novo secretário confere com a do prefeito e com a do segmento: ‘‘Samir sabe que não há mais espaço, seja na administração pública ou na administração privada, para fazer as coisas a qualquer custo’’.
‘‘A indicação mostrou a força do setor. Iapar, Embrapa, Associação dos Agrônomos, estimulados pela Rural, interferiram inteligentemente para a manutenção da secretaria e na escolha de Samir’’, lembra.



Sozinha, a Emater
não consegue fazer
difusão técnica
adequada no Paraná


Para Tiburcio, o trabalho de transformação que será iniciado agora vai estimular a agroindústria, fazer o agrobusiness e expandir a fruticultura - pois este conjunto tem valor agregado e gera empregos. ‘‘Samir tem bons projetos’’, acrescenta.
Para tanto - aponta Tiburcio - ‘‘o secretário saberá usar muitos recursos, muitos equipamentos, muitas cabeças, muita tecnologia disponível’’. Um apoio que ele considera importante é o Centro de Difusão da Fruticultura, que Tiburcio trouxe para Londrina quando foi secretário da Agricultura do Estado.
Com este conjunto - aponta o empresário - a municipalização da agricultura, com cada município resolvendo seus próprios problemas, será possível. ‘‘Este é o caminho necessário, este é o futuro do Paraná e do Brasil’’, afirma. Segundo Tiburcio, o Paraná, com mais de 400 mil propriedades rurais com áreas de até 100 hectares, ‘‘não pode mais continuar um Estado que dispõe apenas da Emater para prestar assistência técnica ao campo. A Emater não aguenta. Cada um dos seus mais ou menos 1.000 técnicos tem a cota de atender 400 propriedades - ‘‘o que é um serviço impossível’’.
‘‘O ideal é como em Israel ou na Holanda, onde há um técnico para cada grupo de 40 produtores. Lá eles passam tecnologia por irradiação aos demais, com custo, e não a qualquer custo’’, aponta, comparando: ‘‘No Paraná e no Brasil, a difusão técnica no campo é genérica, e não é possível nem uma avaliação superficial de resultados de absorção por parte dos produtores’’.

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