Ações contra ''corralito'' trazem caos à Justiça
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terça-feira, 19 de fevereiro de 2002
Marina Guimarães Agência Estado 
Buenos Aires - As ações judiciais contra o corralito superam todos os recordes da Justiça argentina e já atingiram a soma de 16.498 mil denúncias somente neste ano. Os tribunais estimam que a situação se agravará ainda mais nos próximos dias, antes de vencer o prazo para apresentação de denúncia. As ações, cuja maioria pede a inconstitucionalidade do corralito e dos depósitos feitos em dólares, estão levando o sistema da Justiça ao risco de colapso. Tanto que o foro chamado de Contencioso Administrativo Federal, primeira instância por onde deve tramitar este tipo de ação, decidiu tornar sem efeito os prazos que os juízes deveriam obedecer para ditar sentenças nos julgamentos ordinários.
O governo, por sua vez, decidiu mudar o artigo do decreto que proibia por 180 dias a apresentação de qualquer ação contra o corralito. A partir de agora, as ações poderão ser impetradas, porém o cumprimento das sentenças somente poderá ser feito seis meses após a decisão judicial.
Duhalde - Tenham um pouco de paciência. Em tom de apelo, com esta frase o presidente Eduardo Duhalde pediu aos argentinos que esperem 60 dias, prazo no qual considera que o país poderá perceber uma eventual recuperação econômica. Nossa política é diferente à essa que nos últimos anos nos levou à esta crise, argumentou hoje Duhalde durante Conversando com o presidente, seu programa de rádio, emitido três vezes por semana.
Duhalde afirmou que depois dos apoios políticos recebidos nos últimos dias, serão concretizados os respaldos econômicos. Desde a sexta-feira passada, o governo argentino obteve o apoio do chanceler alemão, Gerhard Schröder, e dos presidentes dos países-sócios do Mercosul. Hoje, o presidente pediu aos organismos financeiros internacionais que dêem uma mão à Argentina.


