A Petrobrás entrou para a história ontem como a primeira empresa estrangeira a ser cotada na Bolsa de Buenos Aires. O lançamento de ontem foi apenas uma formalidade e os títulos da empresa brasileira estarão disponíveis para negociação hoje. Pela assinatura de seus Cedear (Certificado de Depósitos Argentinos) entre os operadores da Bolsa de Buenos Aires, a Petrobrás obteve US$ 11 milhões, cumprindo as expectativas.
De um total de 64 ordens de compra, 50% foi realizada pelos agentes e sociedades da Bolsa portenha. A outra metade foi comprada por investidores brasileiros na Argentina, além de fundos comuns de investimento. A colocação das ações da Petrobrás será seguido pela Eletrobrás, que na semana que vem começará seu ‘‘book building’’. Nas semanas seguintes será a vez da colocação dos Cedear da Telebrás e do Itaú.
Os bancos responsáveis pela organização dos títulos das empresas brasileiras na bolsa portenha, o Bozano Simonsen e o Itaú, consideram que até o fim do ano estarão sendo negociados na Bolsa US$ 40 milhões de cada Cedear. As quatro empresas brasileiras passam a ser as primeiras empresas estrangeiras a serem cotadas na bolsa da capital argentina.
Os Cedear possuem um mecanismo similiar aos American Depositary Receipts (ADRs): um banco local compra ações de uma empresa estrangeira segundo as condições do mercado, as deposita e emite certificados contra esse depósito. A vantagem é que por ser uma operação local, evitam-se as transferências de dinheiro, com seus inevitáveis custos.
A Comissão Nacional de Valores considera os Cedear títulos argentinos. Desta forma, as Associações de Fundos de Pensão e Aposentadoria, que estão obrigados a colocar 75% de suas operações em papéis nacionais, poderiam ampliar seu leque de compras. Na cerimônia de lançamento, na Bolsa de Buenos Aires, Alfredo Setúbal, vice-presidente executivo do Banco Itaú, afirmou que ‘‘estes Cedear são um passo importante na aproximação dos capitais do Brasil e da Argentina’’.
Para resolver problemas de liquidez em meados do ano, o ministério da Economia da Argentina colocará à venda ações da YPF, atualmente em poder do Estado que, após da privatização da empresa petrolífera, havia mantido 20% do total do pacote acionário. Daqui a duas semanas, será feita a licitação para a escolha dos bancos encarregados da operação de venda, que seria realizada até outubro.

mockup