Toru Yamanaka/France PresseEsforço de vendasVendedora ajeita faixa com promoção em loja de departamento em Tóquio: consumo
tem níveis baixíssimos no paísDepois das fortes quedas apuradas este mês pelos mercados acionários, em razão da turbulência no cenário externo, o preço de muitos papéis atingiu níveis bastante atraentes. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), por exemplo, acumula desvalorização de 18,34% em agosto. Com isso, este pode ser o momento para que o investidor que aplica seus recursos no longo prazo entre nos mercados de ações, aproveitando as barganhas que existem nos pregões, diz o sócio-gerente da BankBoston Asset Management, Fábio de Oliveira. Para períodos mais prolongados, as perspectivas das Bolsas de Valores são positivas.
No curto prazo, porém, a tendência é de manutenção do quadro de instabilidade, em virtude da tensão externa. A situação do Japão e da Rússia permanece muito delicada. Se a moeda japonesa, o iene, continuar perdendo valor em relação ao dólar, há a ameaça de a China desistir de sustentar a cotação do yuan, o que poderia afetar a economia em escala mundial.
Parece que não há dúvidas, entre os economistas, sobre as causas da crise na Ásia. O que está difícil saber, no entanto, é quando e como ela vai terminar e qual o tamanho do estrago. Segundo o diretor de Investimentos do Banco Francês e Brasileiro (BFB), Alexandre Zakia Albert, está claro que ‘‘essa crise tem como o centro o Japão, que vive uma estagnação econômica’’. O Produto Interno Bruto (PIB), que mede toda a produção de bens e serviços de uma economia, vem caindo e o governo japonês está com dificuldades em reconduzir o país ao crescimento. Lá o nível de consumo é muito baixo, primeiro porque a grande maioria da população já dispõe de bens de consumo e segundo porque a preferência é poupar em vez de gastar.
O caso da Rússia também é bastante preocupante. Alguns bancos do país têm encontrado dificuldades para honrar seus compromissos. Além disso, é possível que o governo do primeiro-ministro Sergei Kiriyenko acabe desvalorizando o rublo.
Outra fonte de incertezas é o comportamento da Bolsa de Nova York. Como houve uma redução da expectativa de lucratividade de muitas empresas norte-americanas, por conta do reflexo da crise asiática, o Índice Dow Jones passa por um ajuste das cotações. A dúvida é saber se esse processo é suave e está perto do fim, como entendem os mais otimistas, ou se o que está em curso é o início de uma correção mais brusca, como temem os mais pessimistas.
Nesse quadro de instabilidade, o investidor estrangeiro, que poderia dar suporte a uma trajetória mais consistente de alta, mostra-se cauteloso em relação às Bolsas brasileiras. E os mercados domésticos precisam de capital externo para avançar de forma sustentável. Desse modo, as Bolsas tendem a oscilar bastante nas próximas semanas, seguindo a instabilidade do mercado externo.
O cenário interno, por sua vez, está favorável aos mercados de ações. A privatização do sistema Telebrás foi bem-sucedida, garantindo um importante reforço de caixa para o governo. E, como boa parte do dinheiro é de origem externa, o Brasil pode perder parte dos capitais de curto prazo das reservas sem maiores problemas. No campo político, a perspectiva de reeleição do presidente Fernando Henrique é positiva para as Bolsas.

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