ACM espera atuação contra especuladores
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quarta-feira, 03 de fevereiro de 1999
Agência Estado 
O presidente do Congresso, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), defendeu ontem a indicação do economista Armínio Fraga - um dos operadores do fundo de investimentos do megaespeculador George Soros - para a presidência do Banco Central (BC), como uma iniciativa do governo com o objetivo de frear a ação de especuladores no mercado financeiro e uma maneira de resgatar a credibilidade da instituição. Na aparência, pode causar dúvidas, mas, na realidade, vai trazer benefícios, afirmou. Ele, mais do que ninguém, conhece a ação do mercado, inclusive dos especuladores, para pôr fim a essa situação em que alguns desses criminosos estão prejudicando o País, completou.
O senador fez críticas à atuação do BC ao longo da crise econômica brasileira, que vinha deixando a desejar, principalmente em relação à fiscalização. Segundo ele, com a troca no comando, a expectativa é que isso seja revertido.
Estava na hora do Banco Central mudar a orientação até para evitar uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito), adiantou. No fim da tarde, entretanto, ACM suavizou as declarações e explicou que estava debochando de uma pergunta feita por um jornalista.
O que eu disse foi: amanhã, se não forem tomadas providências
vocês vão querer uma CPI, afirmou Segundo ele, Fraga não terá dificuldades para ser aprovado pelo Senado e, a partir do dia 22, será apressada a apreciação da nova indicação para o BC.
Ao criticar as políticas de fiscalização do BC, o senador baiano frisou que a atuação da autoridade monetária é péssima, considerando-se que os problemas bancários dos últimos três anos foram por falta de fiscalização. Isso é um erro crônico de muito tempo que agora talvez acabe, disse.ACM também apontou erros na curta gestão de Francisco Lopes à frente do BC. No decorrer desse período, deve ter havido divergências, das quais a primeira foi a banda fixada em 1,32 real, que a maioria acha que ele não acertou, criticou.
Posteriormente, na última sexta-feira (29), o dia mais difícil para economia brasileira, era preciso uma ação mais eficiente por parte do Banco Central, observou o senador. Ele lembrou que a proposta do governo, há algum tempo, era de fortalecer a área econômica, por meio de modificações no BC, intenção que pode ter causado problemas no comando da política econômica. Por isso, a posição do ministro da Fazenda foi mais uma vez prestigiada, avaliou.
Para o presidente do Congresso, a condição de executivo do fundo de investimento de Soros qualifica Fraga para barrar qualquer ação criminosa contra a moeda brasileira. Ele ressaltou que todos têm de acreditar no caráter de Fraga, já que, agora, ele está desvinculado dessa área e conhece muitos dos seus segredos para servir ao Brasil. Para ACM, Fraga é um economista extremamente competente.
Talvez, poucas pessoas e nenhuma no País tenha a sua prática operacional, sobretudo na área internacional, e isso o credencia para assumir a presidência do Banco Central, elogiou, ressaltando, entretanto, que não esperava por uma nova troca na equipe econômica.
Para ele, esse raciocínio - que hoje é bom para o governo - deveria ter sido feito há algum tempo. O senador voltou a declarar guerra aos especuladores. O que eu posso garantir é que a guerra aos especuladores não vai parar mais e, na hora que acabar com essa especulação, o Brasil vai viver em paz e dentro de um regime de normalidade cambial. Para ACM, a melhor opção é fazer uma ação forte contra quem está especulando. Pedi ações mais eficazes, como fiscalização e regulação, observou.
Ele disse que o fortalecimento de Fraga dentro da equipe econômica não irá interferir na conduta do ministro da Fazenda, Pedro Malan. Ele não tem essa vaidade de ser uma pessoa mais forte ou mais fraca, comentou. O que ele quer é solução.


