Cerca de 600 acionistas minoritários do Banco Bamerindus, que juntos totalizam 3,4 milhões de ações, deram carta branca para que uma equipe de advogados entre na Justiça contra o Banco Central. Eles esperam recuperar o patrimônio perdido com a intervenção e posterior venda da instituição para o banco inglês HSBC. O prazo para se unir ao grupo termina hoje em todo o País. As adesões podem ser feitas junto ao Movimento dos Investidores Minoritários do Bamerindus.
A coordenação do movimento começou a colher as assinaturas há um mês, quando houve uma reunião de parte dos acionistas minoritários. A idéia inicial era conseguir no mínimo 1,7 milhão de ações, volume que já justificaria negociar ou até lutar na Justiça contra o Banco Central. Acionistas do Rio de Janeiro, São Paulo e Paraná assinaram procurações que permitem aos advogados representá-los nas negociações com o Banco Central e HSBC.
Os acionistas que participam do movimento querem recuperar as ações, alegando que as mesmas se transformaram em pó de um dia para outro. Juntos eles detinham R$ 110 milhões do patrimônio do Bamerindus. Pelo último balanço publicado pela diretoria do banco paranaense, cada ação valia R$ 32,17, mas no dia da intervenção elas perderam totalmente o valor.
Em todo o País, 50 mil acionistas ficaram desassistidos, sem que houvesse explicação por parte do Banco Central do que aconteceria em caso de intervenção no Bamerindus. Juntos eles detinham 90 milhões de ações, que totalizavam cerca de R$ 3 bilhões.
‘‘A revolta do grupo é em relação ao Banco Central que desconsiderou os acionistas minoritários’’, afirmou um dos advogados do grupo James Marins. O advogado disse que o Banco Central é o ‘‘grande responsável’’ pela situação em que ficaram os investidores do Bamerindus.
Segundo o advogado, assim que terminar o período de adesão dos acionistas, começa a fase de negociação com o Banco Central e com o HSBC. Cada acionista que deu ‘‘carta branca’’ para os advogados, estará representado em nome do grupo. A estratégia dos advogados é fazer com que o Banco Central entre num acordo e aceite pagar o que é devido aos pequenos investidores.
Mas se não houver acordo, o grupo está disposto a entrar na Justiça para tentar reverter o prejuízo. ‘‘A primeira tentativa é de negociação, mas partiremos para ações na Justiça caso não haja acordo’’, garantiu Marins.

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