Os 50 mil acionistas minoritários do Banco Bamerindus, vendido no final de março para o grupo inglês HSBC, iniciaram ontem um movimento de negociação com o Banco Central para tentar recuperar o patrimônio perdido com a intervenção do governo federal na instituição. A decisão de cobrar uma posição do Banco Central foi tomada durante uma assembléia geral dos pequenos investidores, que aconteceu na noite de segunda-feira, na sede da Associação Comercial do Paraná.
A reunião serviu para que acionistas e advogados se conhecessem e iniciassem juntos o trabalho de recuperação do patrimônio. Duas empresas de advocacia vão trabalhar com o processo, uma em São Paulo e outra em Curitiba. O advogado do grupo no Estado, James Marins de Souza, disse que nos próximos 30 dias será elaborada a estratégia jurídica que poderá ser usada na Justiça. Neste meio tempo, começarão as negociações com o Banco Central.
O prazo de um mês foi dado também aos acionistas, que devem se reunir para definir os investidores que podem entrar com a ação. O coordenador do Movimento dos Acionistas Minoritários do Bamerindus, Euclides Ribas, disse que a intenção é arregimentar o maior número possível de acionistas. ‘‘Estamos recebendo adesões até 9 de julho’’.
Ele informou que os pequenos investidores do Bamerindus tinham R$ 175 milhões de ações, na época da intervenção. Considerando um valor médio da ação em R$ 19,00, o volume total chegaria a 9,2 milhões de ações.
O advogado James Marins de Souza disse aos participantes da assembléia que há diversas falhas no processo de intervenção. Uma delas é o fato de o Banco Central não ter revelado aos acionistas o acordo de compra e venda do Bamerindus para o HSBC. ‘‘Ninguém teve acesso aos detalhes da negociação’’, afirmou Souza. O movimento dos acionistas já conta com a adesão de 300 pessoas.

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