Acionistas do Bamerindus fazem protesto
Acionistas do Bamerindus fazem protesto
Carmem Murara
Mauro FrassonOs sem-açõesManifestação dos acionistas do Bamerindus ontem, no centro de Curitiba: pedido de solução ao BCCom faixas, cartazes e um carro de som, os acionistas minoritários do Banco Bamerindus fizeram ontem uma pequena passeata pela Boca Maldita em Curitiba para protestar contra o Banco Central e o HSBC. Eles querem recuperar o dinheiro das ações, que perderam com a intervenção federal no Bamerindus, em março de 1997. Durante a manifestação, eles se concentraram em frente ao Palácio Avenida, sede administrativa do HSBC, e pediram para que o Banco Central encontre uma maneira de ressarcir o grupo de acionistas.
O protesto foi no final da manhã e teve duração aproximada de uma hora. Estamos aqui para mostrar a nossa indignação contra o Banco Central. Queremos dialogar com o banco e com o HSBC. Não queremos que eles nos esmagem, pois não aceitamos o fato de termos sido expropriados da noite para o dia. Isso foi desumano, afirmou o presidente da Associação dos Investidores Minoritários do Bamerindus, Euclides Ribas.
Muitos dos pequenos acionistas do Bamerindus viviam apenas com os dividendos obtidos das ações e de um dia para outro os papéis ficaram sem nenhum valor. Este era o caso da aposentada Elizabete Ehke. Ela tinha ações do Bamerindus no valor de R$ 511 mil. Eram economias minhas e de meu pai de um período de 30 anos, além de parte de uma herança, lamenta Elizabete.
Ela conta que já vendeu uma série de móveis e objetos de decoração que tinha dentro de sua casa para poder sobreviver. Hoje, minha renda é de R$ 500 e isso mal cobre as despesas do condomínio e da prestação do apartamento, revela.
Histórias como a de Elizabete se repetem em boa parte dos 52,2 mil acionistas. Juntos, eles tinham ações que totalizaram cerca de R$ 390 milhões. O Banco Central se nega a dar o dinheiro aos acionistas minoritários. Eles já entraram com uma ação contra o Banco Central pedindo a indenização pelo prejuízo. Nesta semana, eles conseguiram que a Justiça Federal em São Paulo suspendesse o leilão de 400 imóveis do Bamerindus. O leilão seria feito em São Paulo e Curitiba.





