Acionista acusa banco de fraude e venda de ações
Marcelo AlmeidaÀ reveliaMariza garante que em nenhum momento autorizou a venda das ações e diz que a sua assinatura foi falsificadaO advogado Magnus Victor Kaminski ajuizou no final do mês julho, na 9ª Vara Cível, uma ação ordinária de reparação de danos contra o Banco Itaú. Ele tenta recuperar um lote de ações que teria sido vendido sem a autorização de seus clientes - o casal Marcos e Mariza de Fátima Carlsson Gomes. Mariza recebeu as ações do banco, em 1985, como herança de seu pai Herberto Carlsson, que era um dos acionistas minoritários do Itaú. Quando foi vender as ações, em março do ano passado, ela descobriu que elas tinham desaparecido.
O advogado do casal alega que o Itaú autorizou a venda de 38,6 mil ações preferenciais, sem que Mariza ou o marido desse permissão para a venda. Kaminski pede R$ 135 mil como indenização, cinco vezes mais do que o valor das ações negociadas, mesmo já tendo recebido o valor correspondente às ações da corretora Rendicap, responsável pela negociação das ações do Itaú no mercado.
A venda das ações foi feita no dia 10 de março de 1995 na Bolsa de Valores do Rio de Janeiro, através da corretora curitibana Rendicap. A venda só foi possível graças à falsificação de documentos e alteração do nome da acionista minoritária do Itaú. A corretora confirma que o nome de Mariza de Fátima Carlsson Gomes foi alterado para Mariza de Fátima Carlsson, mas não sabe de onde partiu a fraude. Com a simples supressão do sobrenome de casada nas fichas do banco, ficou mais difícil descobrir a suposta venda irregular.
Para vender as ações, fizeram uma alteração no nome de minha cliente, mudaram o número de sua carteira de identidade e também de seu CPF, denuncia Kaminski. Ele acredita que se trata de uma fraude praticada por funcionários ou diretores que tinham acesso à senha da conta de Mariza.
O diretor da corretora Élcio Bardelli mostrou os documentos da venda ao advogado da família, onde fica comprovado a alteração. Na documentação, aparece o nome de Mariza, mas o número da carteira de identidade que seria o dela, na verdade, pertence a Márcio Akio Okubo. Okubo mora em Maringá e não conhece a família Gomes. Além disso, ele nunca teria tido qualquer relação com ações do Itaú. Nos papéis que autorizam a venda, consta ainda que Mariza nasceu no município de Campo Mourão. Ela é natural de Porto União (SC). Segundo a dona das ações, as assinaturas dela também foram falsificadas. Jamais autorizamos venda alguma, afirmou.
A acionista minoritária do Itaú diz que soube do sumiço das ações por acaso. Quando recebeu a herança do pai, Mariza foi aconselhada pelo banco a abrir uma conta-poupança, onde seriam depositados os dividentos. Nem Mariza nem Marcos Gomes mexeram no dinheiro durante dez anos. Mas em março de 96 por problemas de saúde na família, eles foram ao banco para pegar as ações. Foi uma surpresa terrível saber que o dinheiro não estava ali, relembra Mariza.
Desde que soube que as ações foram vendidas sem qualquer autorização por parte dela ou do marido, Mariza trava uma luta para desvendar o mistério que pode ter se originado dentro da agência bancária. Do Itaú ela recebeu a informação de que não tinha qualquer crédito de ações junto ao banco.





