Acil quer a abertura das lojas nas tardes de sábado
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sexta-feira, 06 de junho de 1997
Carina Paccola 
Marcos BorgesBriga antigaAbílio Medeiros, Daniel Hatti e Roberto Martins divulgam pesquisa sobre o horário do comércioAbrir as lojas do centro da cidade todos os sábados à tarde é a nova bandeira da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil). Para justificar essa reivindicação, o presidente da entidade Abílio Medeiros apresentou ontem à tarde à imprensa o resultado de três pesquisas feitas com consumidores, comerciantes e comerciários. Medeiros estava acompanhado do diretor do Sindicato do Comércio Varejista, Roberto Martins, e do responsável pela pesquisa, Daniel Hatti. Foram ouvidos pela Canadá Pesquia 500 comerciários, 250 comerciantes e 600 consumidores.
A consulta mostra que a maioria dos consumidores (56,3%) e dos comerciantes (66,8%) de Londrina é favorável à flexibilização do horário do comércio no centro da Cidade. Os trabalhadores do comércio continuam resistindo a qualquer mudança nesse sentido. Mas a pesquisa revela que um terço da categoria já pensa diferente do que defende o Sindicato dos Empregados no Comércio de Londrina: 29,2% é favorável à ampliação dos horários do comércio; 68,6% são contrários à proposta; e 2,2% não têm opinião a respeito.
Segundo o diretor do Sindicato dos Empregados no Comércio, Manoel Teodoro da Silva, a entidade é totalmente contra à abertura do comércio todo sábado à tarde. Amanhã (hoje) as lojas estarão abertas à tarde porque há um acordo entre patrões e empregados, como acontece sempre às vésperas de datas promocionais, explica. Teodoro afirma que o sindicato não acredita que todo sábado terá movimento de consumidores que justifique a abertura das lojas. Infelizmente a flexibilização não vai aumentar a receita das empresas. Os trabalhadores do Brasil estão numa luta danada para aumentar salário e não conseguem. Como as pessoas vão comprar mais se continuam ganhando pouco?
Neste mês, a Câmara Municipal deve votar projeto de lei do vereador Tercílio Turini (PSDB), apresentado em dezembro do ano passado, que propõe a abertura do comércio até as 18 horas em um sábado por mês, nos meses em que não há data promocional. O vereador disse ontem que a pesquisa é importante, mas ela não vai provocar alteração em seu projeto. Na próxima semana, Turini vai se reunir com o Sindicato do Comércio Varejista para ver se há consenso entre os sindicatos de trabalhadores e de comerciantes quanto ao funcionamento até as 18 horas num sábado por mês. A flexibilização deve ocorrer aos poucos. Se o horário mudar num sábado por mês, a prática vai mostrar se a alteração é ou não necessária, diz o vereador.
Para o presidente da Acil, Abílio Medeiros, um sábado por mês é muito pouco. Isso pode ainda confundir o consumidor que não saberá ao certo qual é o sábado em que as lojas estarão abertas à tarde, diz. Na opinião de Medeiros e de Martins, os comerciários estão mal-informados sobre os benefícios da flexibilização. Entre os comerciários pesquisados, 27,4% estudam e 72,6% não estudam mais. Como há os estudantes, a proposta é que o comércio seja aberto somente aos sábados à tarde.
Segundo Medeiros, durante a semana seriam mantidos os horários de abertura e fechamento das lojas. De acordo com a pesquisa, 64,3% dos consumidores defendem que as lojas sejam abertas às 8 horas. Para o fechamento, 47,7% acham que deve ocorrer às 18 horas; 17%, às 19 horas; 17,7% às 20 horas; 8,8% às 22 horas. O Catuaí Shopping Center já mudou os hábitos do consumidor londrinense, que prefere comprar nos horários alternativos aos do funcionamento normal das lojas no centro, explica.
De acordo com a pesquisa, 59,3% dos entrevistados frequentam as lojas do Catuaí; 41% vão ao Shopping aos sábados; 20,5%, aos domingos. Quando o Catuaí abriu, poucas pessoas iam até lá aos domingos. Hoje, somando sábado e domingo, 61,5% preferem o fim-de-semana para ir ao Catuaí. Isso mostra que os hábitos mudaram. O Centro não pode ficar alheio à essa mudança. Outro dado da pesquisa é em que período o consumidor pode frequentar as lojas de Londrina. As respostas mostram que 29,7% podem ir às compras de manhã; 49,3% podem ir à tarde; 14%, à noite; 11,2% na hora do almoço.


