A Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil) está encabeçando movimento na tentativa de derrubar a Medida Provisória (MP) 232, que aumenta a base de tributação dos prestadores de serviços. A entidade fez reunião ontem, no final da tarde, com empresários de comunicação de Londrina, um dos setores atingidos pela MP, para tratar da mobilização empresarial contra a medida, baixada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A mobilização em Londrina é apenas mais uma das campanhas que estão surgindo em nível nacional contra a medida provisória.
''A MP afeta diretamente e em maior monta os prestadores de serviços. Convidamos os representantes dos veículos, por serem prestadores de serviços e um dos setores mais prejudicados com a medida'', justificou o presidente da Acil, José Augusto Rapcham. Ele afirma que a presença da mídia é importante na mobilização não só para que a campanha tenha repercussão. ''Queremos o envolvimento de todos os setores e da população em geral, porque ela é a maior prejudicada com esse aumento de tributos'', completou.
Uma das idéias de Rapcham para chamar a atenção da população sobre o assunto é montar um painel multimídia no Calçadão (área central), a partir do mês que vem, para divulgar o posicionamento dos deputados sobre a MP. Para isso, ele já está se reunindo com representantes de sindicatos e associações. ''O painel é uma forma para espelharmos o trabalho dos deputados'', afirma Rapcham. Na segunda-feira, o dirigente da Acil reuniu-se com representantes de sindicatos, associações e os deputados Luiz Carlos Hauly (PSDB) e Barbosa Neto (PDT). Outros deputados da Cidade foram convidados para não compareceram.
Entre os principais prejuízos causados com a MP 232, Rapcham salienta a modificação no enquandramento de prestadores de serviços - envolvendo desde a segurança, limpeza, odontologia, transporte até medicina e publicidade. Outro aspecto negativo, diz ele, é em relação à retenção de imposto na fonte para o produtor rural em 1,5%. ''A alteração reflete em tudo. A forma como isso está sendo feito, eleva a sonegação no País, além de aumentar o contrabando já que haverá aumento no preço dos defensivos agrícolas'', afirma.
O diretor da TV Cidade, Márcio Ceneviva, disse que a intenção da emissora é apoiar o movimento da Acil, através de coberturas que mostrem quais os reflexos a medida trará junto à população. ''Vamos esclarecer o público, convidando especialistas, consultores que sejam favoráveis e contrários à MP para informar a população'', disse ele, que participou da reunião na Acil. Também considera o movimento positivo, o diretor da Rádio CBN, Amauri Lopes. ''Vamos abrir espaço na rádio para informar a população''.
Até o momento, em nível nacional, a MP 232 foi alvo de ações diretas de inconstitucionalidade (Adin) por parte do PDT e do PFL. A Ordem dos Advogados do Brasil engrossa a frente contra a medida e instalou uma comissão para estudar a carga tributária do País.

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