Acil defende liberdade total de horários
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segunda-feira, 28 de junho de 2004
Vanessa Navarro<br> Reportagem Local 
A discussão pública sobre a abertura do comércio em Londrina tem deixado a impressão de que o impasse se restringe à permissão ou proibição do funcionamento de lojas aos sábados à tarde. Não é bem assim, diz o novo presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), José Augusto Rapcham, 43. À frente da entidade desde a semana passada, Rapcham afirma que a bandeira levantada pela Acil é a da flexibilização total dos horários do comércio.
A proposta é que os comerciantes tenham liberdade para abrir e fechar os estabelecimentos nos horários mais convenientes para cada categoria. Dessa forma, ilustra Rapcham, uma loja de insumos agrícolas poderia abrir as portas às 6 horas da manhã, horário que atenderia melhor os anseios dos consumidores destes produtos - o agricultor que vai bem cedo para a lavoura, por exemplo. No caso da maior parte dos estabelecimentos do Centro de Londrina, como lojas de confecção, calçados, móveis e eletrodomésticos, a abertura nas tardes de sábado e até mesmo à noite de segunda a sexta-feira seria vantajosa, aponta o presidente da Acil.
''Isso seria a profissionalização do comércio, algo que os grandes magazines que vieram de fora de Londrina já têm. Eles valorizam estatísticas sobre os horários mais atrativos para o consumidor, e por isso buscam até amparo legal para abrir aos sábados à tarde'', assinala, referindo-se a lojas de rede estabelecidas na cidade como Riachuelo, Americanas e Pernambucanas.
Rapcham relata que, em pesquisa realizada há dois meses entre os associados do comércio, 78% declararam ser favoráveis à flexibilidade total dos horários. ''Muitos defendem a flexibilização por questão de sobrevivência, porque estão perdendo terreno para as grandes lojas que já fazem isso'', ressalta. Ele sustenta ainda que a medida geraria empregos, porque obrigaria os donos de lojas a contratarem mais funcionários. ''Com a regularização dos horários, seriam feitas novas escalas de trabalho. Hoje os empregados são apenas 'remanejados' quando é preciso'', diz.
O presidente da Acil associa a resistência de trabalhadores, sindicatos e até de consumidores à liberação de horários a uma ''questão de amadurecimento''. ''Londrina cresceu muito rápido mas ainda tem mentalidade de cidade pequena. É preciso criar acostumar as pessoas à idéia, e a abertura aos sábados seria um primeiro passo''.
Rapcham afirma que ''já existe um comprometimento do prefeito Nedson Micheleti (PT) em mudar o código de posturas do Município em favor da flexibilização''. O código autoriza o expediente no comércio apenas no sábado seguinte ao 5º dia útil de cada mês. Micheleti estaria apenas aguardando a decisão do Sindicato do Comércio Varejista de Londrina (Sincoval), que até então se posicionou contrário à proposta.


