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Acil aponta que consumidor está com dificuldades de pagar dívidas

Os resultados de análise nos crediários na rede varejista aponta um maior número de pessoas negativadas

Pedro Moraes - Grupo Folha
Pedro Moraes - Grupo Folha

 

Acil aponta que consumidor está com dificuldades de pagar dívidas
iStock
 


O Sistema de Proteção ao Crédito da ACIL (Associação Comercial e Industrial de Londrina) aponta um aumento no número de pessoas que não conseguiram arcar com suas dívidas em março. Os dados em comparação com o mesmo período no ano passado – período em que ficou marcado pelo início da pandemia da Covid-19 – apontam que o número de negativados registrado ficou 9% maior. No entanto, analisar os dois períodos, com momentos tão diferentes, faz com que o resultado seja até positivo. “Em março de 2020, tínhamos um cenário de recuperação. A cidade aumentava os empregos. Hoje, um ano depois, a situação é mais delicada, mesmo que tenhamos recuperado parte dos postos perdidos, o saldo em dezembro foi de 420 postos a menos do que no início do ano passado. Havíamos perdido 5.000 postos de emprego, numa base que já estava enxugada. Diante dessa situação, o resultado nem é tão ruim”, aponta o economista Marcos Rambalducci, consultor da ACIL.


Um reflexo dessa comparação pode ser observado quando a confrontação se amplia para o primeiro trimestre deste ano ao de 2020, no qual aponta que o número de consumidores negativados foi 15% menor. É preciso levar em consideração que a população faz uso da linha de crédito direto nas lojas normalmente é de poder aquisitivo mais baixo e que esses indicativos não incluem gastos com cartões de crédito. Essas pessoas tendem a ser mais conservadoras num momento de crise como a que enfrentamos atualmente. “A autoconfiança em se tornar inadimplente é levada em consideração. A população mais pobre, quando perde o crédito, fica numa situação muito mais complicada. Por outro lado, o desemprego atingiu as classes mais baixas. Essas pessoas que ficaram empobrecidas não vão comprar televisão e geladeira, a prioridade é comprar arroz e feijão”, esmiúça Rambalducci.


Já a quantidade de consumidores inadimplentes que conseguiram renegociar as dívidas foi 10% menor na comparação com março do ano passado. Por isso, o resultado do primeiro trimestre de 2021 foi 31% mais baixo. “O comércio como um todo está apostando na recuperação econômica, o que pode ser visto nos indicadores de geração de emprego formal divulgados pelo Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) que mostram aumento nas contratações. No entanto, ainda há muita apreensão por parte dos lojistas, que continuam esperançosos na retomada mais vigorosa da economia e na ajuda do novo auxílio emergencial”, ressalta Rambalducci. O repasse direto do governo, no entanto, será menor do que o do ano passado, o que pode dificultar tal retomada. Os valores propostos na próxima rodada são oito vezes menores do que o que foi aplicado em 2020.


Na opinião de Rambalducci, uma melhora na economia, não só em Londrina, como em todo o País e no mundo, depende do controle da pandemia. O que, por enquanto, aponta para um amplo processo de vacinação da população. “Vivemos praticamente um momento de uma tempestade perfeita. A produção caiu e o preço subiu. Não podemos esquecer que a quantidade de alimentos não aumenta, o que isso faz é aumentar a inflação. Houve auxílio emergencial, mas, concomitantemente, a elevação dos preços”, explicou. “Podemos ter um aumento na inadimplência, sim, enquanto não gerarmos mais emprego, mais renda. O horizonte ainda está muito nebuloso e, é claro, vai ficar mais conservador”, detalhou.

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