Acidentes de trabalho causam perdas de R$ 20 bilhões ao ano
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quarta-feira, 11 de abril de 2001
Agência Estado De Brasília 
O governo e as empresas gastam cerca de R$ 20 bilhões por ano por causa dos acidentes de trabalho. A estimativa foi feita pelo secretário de Previdência Social, Vinícius Carvalho Pinheiro, e envolve as despesas com saúde, reabilitação profissional, horas paradas nas empresas e os benefícios previdenciários. Só na Previdência Social a despesa com o pagamento de benefícios acidentários passou de R$ 983,08 milhões em 1995 para R$ 2,1 bilhões no ano passado.
Preocupado com o aumento da despesa, consequência direta do aumento do número de trabalhadores afastados do trabalho temporária ou definitivamente, a Previdência Social encomendou um levantamento inédito sobre as máquinas causadoras de acidentes de trabalho em uso pelas pequenas e médias empresas do parque industrial brasileiro. O resultado, de acordo com o secretário, foi assustador. A maior parte dos acidentes de trabalho, que em 1999 atingiram um total de 378.365 trabalhadores, dos quais 3.605 resultaram em morte, teve como causa a utilização de máquinas obsoletas.
Muitas empresas, com o objetivo de reduzir custos, adquirem máquinas de segunda mão, sem as mínimas condições de segurança para o trabalhador, disse Carvalho. Ele argumentou que essa é uma visão totalmente errada porque, além de implicar maiores gastos no futuro tem como consequência a incapacidade temporária ou permanente do trabalhador ou até mesmo a morte. Carvalho defende que o governo adote medidas enérgicas contra a utilização das máquinas mortíferas.
Daí que a Previdência Social vai encaminhar o estudo para a fiscalização do Ministério do Trabalho, Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que financia a aquisição de máquinas e equipamentos.
De acordo com o estudo o primeiro lugar no ranking das máquinas que mais causam acidentes cabe às prensas. Essas máquinas foram responsáveis por 42% dos casos de esmagamento de dedos ou mãos registrados em 1995 e por 25% de todos os acidentes graves causados por máquinas no mesmo ano. A seguir vem as serras circulares, usadas na construção civil e fabricação de produtos de madeira, que foram responsáveis, em 1995, por 15% de todos os acidentes de trabalho causados por máquinas.
O terceiro lugar entre as máquinas mortíferas pertence às tupias e desempenadeiras de madeiras. Depois vem as injetoras de plástico, seguidas pelas guilhotinas para corte de chapas, calandras e cilindros para a fabricação de produtos de padaria, motosserras, impressoras e máquinas para descorticar e desfibrar o sisal.


