Acidente eleva preço da uréia no PR
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quinta-feira, 05 de novembro de 1998
Vânia Casado 
O preço da uréia no mercado internacional já evoluiu de US$ 92 a tonelada, na semana passada, para US$ 100 a tonelada esta semana. A informação é do presidente da Associação das Pequenas e Médias Empresas Misturadoras do Paraná e Santa Catarina, Adailton Pereira de Araújo, que atribuiu o aumento ao acidente ocorrido na unidade industrial da Ultrafértil, em Araucária, no final de semana passada. No País, só existem duas unidades produtoras de uréia: a da Ultrafértil e a da Petrobrás, em Camaçari, na Bahia. A notícia do acidente já chegou ao mercado internacional, afirmou Araújo.
Apesar da negativa da Fosfértil - que controla a Ultrafértil -, publicada pela Gazeta Mercantil, de que não haverá aumento de preço da uréia ao produtor, Araújo afirmou que os preços já estarão reajustados na próxima semana em aproximadamente 30%. Com isso, os produtores de milho que utilizam o produto para cobertura serão os mais penalizados. Segundo Araújo, o preço da uréia, que atualmente chega a R$ 220,00 a t na propriedade, poderá chegar entre R$ 280,00 e R$ 300,00.
Para justificar essa projeção, Araújo disse que em 1995, quando ocorreu acidente semelhante nessa mesma época, a cotação da uréia explodiu para R$ 340 a R$ 380 a t. Segundo ele, acidentes semelhantes na unidade de Araucária ocorreram nesta mesma época em 1995, 1997 e agora em 1998 (duas vezes, em outubro e novembro). Por incrível que pareça, é justamente entre os meses de agosto e novembro, que aumenta a demanda por uréia, por parte das empresas de fertilizantes, disse.
Adailton Araújo vinculou a ocorrência dos acidentes à tentativa da Fosfértil de elevar o preço da uréia no mercado interno. No ano passado, não houve reajuste de preço, porque havia estoque de uréia com as pequenas e médias misturadoras, o que não está ocorrendo este ano, alegou. Tanto a Ultrafértil quanto as pequenas empresas estão sem estoques. Araújo disse estranhar a coincidência de a Ultrafértil ter providenciado a importação de 100 mil toneladas de uréia antes do acidente. Ele disse que as compras foram feitas no Leste Europeu e foram embarcadas em quatro navios de 25 mil t cada um. Esses dados são comprovados na Cacex, afirmou. O diretor de relações com o mercado da Fosfértil, Luiz Antônio Bonagura, foi procurado pela Folha, ontem, na unidade de Cubatão, para comentar as declarações de Adailton Araújo, mas não foi encontrado.
O presidente da Associação das Pequenas e Médias Empresas Misturadoras do Paraná e Santa Catarina admitiu que a produção de uréia no País é inferior em 30% ao consumo, avaliado em 350 mil toneladas, e que para atender a demanda é preciso importar o produto. Ocorre que o sistema vigente, controlado pela Fosfértil, impede as pequenas e médias misturadoras de fazerem a importação diretamente.
Outra denúncia feita por Araújo é que a Fosfértil está propondo às pequenas e médias misturadoras que passem a ser também distribuidoras de uréia e adubo. A consequência imediata dessa proposta é o fim dos estoques de produtos, que permitiria ao sistema Fosfértil controlar toda a política de importação e distribuição da uréia, justificou.


