Acidente de trabalho na zona rural pode ser maior que o notificado
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segunda-feira, 24 de março de 1997
Sucursal de Curitiba 
ArquivoMudança na lei reduz casos de acidentes de transporte de trabalhadoresUm levantamento feito pela Fundacentro aponta que 57% das 3.476 ocorrências por intoxicações ocorridas em 12 municípios do Paraná foram provocadas por produtos organofosforados e carbonatos, agrotóxicos que provocam alergias, depressão, nascimento de crianças com má formação congênita e atacam o sistema nervoso central.
Mas esse quadro pode não ser o real: a Fundacentro - órgão de Segurança e Medicina do Trabalho, vinculado ao Ministério da Agricultura - admite que o número de acidentes do trabalho rural é maior que as notificações feitas ao Ministério do Trabalho e ao INSS.
A dificuldade de estatísticas no setor ocorre por falta de informação dos trabalhadores, que desconhecem o direito a indenização que pode chegar a um salário mínimo mensal, dependendo da gravidade. Para reverter o quadro, a Fetaep pretende utilizar os cerca de 85 programas de rádio à disposição dos sindicatos dos trabalhadores para divulgar a necessidade de se comunicar os acidentes do trabalho.
O assunto começou a ser discutido ontem, no Seminário Regional Sul de Comunicação, Segurança e Saúde dos Trabalhadores Rurais do Paraná e Santa Catarina, na sede da Fetaep, em Curitiba.
Com base nos atendimentos feitos nos hospitais da rede pública, a estatística mais disponível sobre acidentes do trabalho no meio rural é decorrente da aplicação incorreta de agrotóxicos. Em 1995, foram registrados 786 casos, com 100 mortes. Mas o campeão de acidentes no campo é o ataque de animais peçonhentos. Os acidentes por mordidas de cobras variam entre 1.000 e 1.200 casos registrados por ano, afirmou Irineu Zipperer, da Fundacentro, coordenador de Segurança do Trabalho na Agricultura.
Mas outros acidentes, provocados pelo uso inadequado de ferramentas manuais e equipamentos mecânicos e pelo transporte de trabalhadores, não são devidamente comunicados ao Ministério do Trabalho. O presidente da Fetaep, Antonio Zarantonello, enquadra a ocorrência de acidentes com transporte de bóias-frias como acidentes de trânsito e não como acidentes do trabalho.
Segundo ele, esse tipo de acidente vem caindo desde 1992, quando entrou em vigor a resolução 683, que regulamenta o transporte de pessoas. Segundo o capitão Antonio Carlos Fernandes, do Comando de Policiamento do Interior, foram registrados dois casos de acidentes com bóias-frias no Paraná em 1995, e apenas um caso em 1996. Ele atribui essa redução à obrigatoriedade de transportar os trabalhadores rurais em ônibus ou veículos de carga adaptados, com bancos fixos e compartimento isolado para colocar ferramentas.(V.C)


