Acidente compromete receita, mas no ano a perda será diluída
O acidente envolvendo a plataforma P-36 da Petrobrás, afundada na semana passada, vai comprometer a receita da empresa, que deverá diminuir neste ano. O seguro, de cerca de US$ 500 milhões, não cobrirá as perdas com a produção.
Porém, a redução dos ganhos não é suficiente ainda para abalar o desenvolvimento da companhia, em plena fase de ampliação da sua produção, segundo os especialistas. Por enquanto, o desastre irá implicar atraso no cronograma de expansão e a perda de valor já foi transferida para os preços das ações, afirma o gestor de renda variável do Banco Santos, Eduardo Rossetti.
Quem investiu o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) em ações da Petrobrás ainda não pode movimentar os recursos aplicados livremente. Os fundos tem um prazo mínimo de um ano após a compra das ações, que ocorreu em agosto do ano passado, para que se possa deslocar o capital investido e se obter o desconto de 20% na compra dessas ações.
A alta rentabilidade obtida por essas aplicações agrega o desconto. Os investidores dos fundos do FGTS e dos fundos com recursos próprios que compraram papéis da estatal na mesma ocasião, com o desconto, rendem, em média, 52,77%, e 53,72%, respectivamente.
O analista de investimentos relacionados com petróleo do banco UBS Warburg, Edmo Chagas, diz que os investidores dos fundos, ainda se pudessem, não deveriam sair da aplicação. A ação ainda tem um potencial de valorização muito bom para os próximos meses.
Após o término do prazo, Chagas diz que o investidor deve ainda avaliar a situação para se posicionar. O desempenho de uma aplicação não precisa ser excepcional para superar o rendimento do FGTS, diz ele.
Segundo Chagas, a perda da plataforma P-36 ocorrida há duas semans não deve abalar significativamente o lucro da empresa. Para ele, a estatal deve diluir o prejuízo durante o ano.





