Para o pesquisador e economista do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas, Marcelo Neri, o principal benefício que a nova legislação trará será o acesso a políticas públicas, como linhas de crédito específicas. O professor explica que uma contradição impedia o governo de formular ações específicas para a classe, uma vez que não seria possível identificar os microempresários na informalidade. ''Esse será um marco e mudará a forma como microempreendedores são vistos no país'', afirmou.
A nova legislação deverá beneficiar microempreendedores como Cleberson Leite de Moraes, de 20 anos. Ele trabalha como vendedor de doces no Centro de Curitiba e diz que se preocupa com uma aposentadoria futura, uma vez que não contribui com o INSS. Para Moraes, a mudança será positiva, uma vez que ele pretende abrir uma distribuidora de água. Durante a entrevista, o comerciante reflete e anima-se com a isenção de impostos. ''Acho que o faturamento não ultrapassa R$ 36 mil'', diz. Nas pesquisas que já fez, ele calcula que deverá investir R$ 2 mil para comprar os equipamentos indispensáveis para a distribuidora, que irá também empregar a mãe dele.
Outra microempreendedora que deve partir para a formalidade com a nova legislação é a cabeleireira Marlene Xavier Chagas. Na profissão há 20 anos ela sonha agora com a abertura do próprio salão em Toledo (região oeste do Estado). Ela conta que a nova empresa deve começar a atuar daqui a um ano e no início ela irá trabalhar sozinha. Marlene diz que apesar de estar guardando dinheiro para abrir o negócio ainda não tem idéia do investimento total e do local mais apropriado. Pelas pesquisas que fez, ela sabe que existem dois salões de beleza na cidade, mas acredita que ainda há potencial para a abertura de uma nova empresa no mesmo ramo. ''O sol nasceu para todos'', ilustra. (K.L.M.)

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