Acesso a crédito rural ainda é pequeno
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terça-feira, 12 de julho de 2005
Da Redação 
Dos 49,2% dos produtores rurais brasileiros que solicitaram financiamentos de custeio de lavouras no último plantio, não mais de 8% obtiveram 100% dos recursos a taxa de juro de 8,75% ao ano. O restante teve que complementar os recursos por meio de outras linhas de crédito. Arcaram com taxas elevadas e muitos ficaram obrigados a pagar juros de mercado. O dado foi comprovado por pesquisa realizada em maio e divulgada agora pelo projeto Conhecer da Confederação da Agricultura e da Pecuária do Brasil (CNA) junto a 2.298 agricultores, incluindo paranaenses.
Segundo o presidente da Federação da Agricultura do Paraná (Faep), Ágide Meneguette, a conclusão é clara: grande parcela dos agricultores vem perdendo renda por conta de frustração de safra, queda dos preços dos produtos e alta acentuada nos custos de insumos, máquinas e implementos. Segundo ele, como não consegue quitar as dívidas, incluindo as de custeio, a maioria encontra sérias dificuldades para obtenção de novos créditos.
De acordo com a pesquisa, pelo menos 10% dos entrevistados comprometem mais de 60% da renda bruta para quitação de parcelas de financiamentos. Para agravar a situação, os produtores rurais disseram que também encontram-se endividados diretamente com fornecedores de insumos. Cerca de 36% não conseguem pagá-los.
Segundo a pesquisa, na renegociação de dívidas com os bancos, os agricultores passam por outro constrangimento: apenas 11% são atendidos na prorrogação de crédito de custeio. E não excede a 12% o índice daqueles que conseguem prazo maior na renegociação das dívidas de investimento.
Para 34% dos consultados, a recente prorrogação de débitos dos produtores rurais embora alivie a situação ainda é insuficiente diante da gravidade do problema e da progressiva perda de renda do setor rural. Na opinião de 38% dos pesquisados, as medidas oficiais resolveram apenas parcialmente os problemas de crédito. Anunciadas em abril, incluem prorrogação das parcelas vencidas e a vencer em 2005 das linhas de investimento dos programas financiados com recursos com recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Segundo Meneneguette, mais recentemente, em função de forte pressão do campo, através do Tratoraço, que levou 20 mil agricultores para protestos em Brasília, a situação melhorou um pouco. O governo prometeu R$ 3 bilhões para compra de insumos, máquinas e equipamentos a juros de 8,75 ao ano. Também tornou maior o prazo para quitação dos débitos. Porém, para o presidente da Faep, na prática, o atendimento às reivindicações foi parcial. Ele cita como exemplo a renegociação de dívidas antigas que contempla apenas os produtores com pagamento de financiamentos em dia até 31 de dezembro último.


