O 13º começa a entrar no bolso do trabalhador e tudo indica que é hora de pagar as contas atrasadas. O mercado está agitado, querendo receber e vender. Há mais de 3,5 milhões de carnês em atraso na cidade de São Paulo; a média histórica do SCPC de lá é 405% menor. Mas quem não perdeu o emprego no Plano Real usa o 13º para pagar a dívida. Se sobrar um pouco, pelo menos coragem para assumir outras ‘‘mil’’ prestações a juros de 9% ao mês, o mercado está aberto. O consumidor sabe disso.
E quem não está fazendo acerto de contas? A Encol deve R$ 500 milhões no mercado. Construtora número 1 de imóveis residenciais no País, a empresa corre o risco de perder até a identidade para refazer a vida. Já aceitou ficar sem o fundador - atual presidente, Pedro Paulo de Souza - no comando da empresa. A Mesbla, outra das grandes, vai ter que faturar R$ 50 milhões no Natal para respirar melhor até fevereiro e aí analisar o seu programa de reestruturação. Ver se vale mesmo a pena investir nele.
Em queda
Marcas filiadas à Abeiva venderam bem menos nos primeiros 10 meses do ano. A comercialização de veículos importados ficou 51,1% abaixo do registrado no mesmo período de 95. De janeiro a outubro foram vendidas 51.889 unidades, contra as 106.083 do ano passado. No balanço final da Abeiva, entidade dos importadores sem fábrica no País, a comercialização deverá encostar em 65 mil.
Em alta
Compram-se outras máquinas. Para se modernizar, ou no mínimo segurar a clientela, a indústria nacional deve consumir US$ 18 bi em importações de máquinas e equipamentos, em 96. Dois anos atrás, dentro de um mercado consumidor equivalente ao de hoje, o volume não passou de US$ 2 bi. A diferença está no crédito. Lá fora ele é mais barato e acessível. São essas importações da indústria (incluindo os segmentos eletrônica e informática, o petróleo e a Zona Franca) que elevam o déficit comercial, deixando o governo preocupado. Em tempo: o número de importadores quadruplicou desde a chegada do Real.
Equilíbrio
Em campanha pela desoneração, o governo reativa o que estava parado desde 1991 por falta de entendimento com o Instituto de Resseguros do Brasil. O Seguro de Crédito à Exportação volta para incrementar as vendas ao exterior, que andam muito mais lentas que as importações. Com o Tesouro Nacional bancando os riscos do negócio, até mesmo as consequências de uma reviravolta política, o exportador brasileiro poderá vender a crédito no mercado internacional.

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