Aceleração da economia já preocupa economistas
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 29 de março de 2010
Jacqueline Farid<br> Agência Estado 
Rio de Janeiro - A aceleração do crescimento da economia brasileira já é motivo de preocupação, avalia o economista-chefe do banco Santander, Alexandre Schwartsman. Para ele, o Banco Central terá pela frente a tarefa de reduzir o ritmo da expansão via alta de juros. A avaliação do economista é que, nos últimos meses, a economia do País tem crescido a uma taxa anualizada de 7%, patamar perigoso para a taxa de inflação. Uma variação mais apropriada, segundo ele, seria 4,5%, para evitar aumentos de preços.
Em palestra no seminário Cenários da Economia Brasileira e Mundial em 2010 na sede da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), o economista destacou que o consumo doméstico e o Produto Interno Bruto (PIB) já voltaram a crescer ''na mesma velocidade de antes da crise''. Segundo ele, a expansão é impulsionada pela continuidade do aumento da renda e a recuperação da concessão de crédito, com queda da inadimplência.
Schwarstsman disse que não acredita que o processo eleitoral vá mudar o patamar do risco Brasil. Na sua avaliação, mesmo que ocorram discussões em torno da política monetária e cambial, não haverá perigo de polêmicas em torno da questão fiscal. ''Ninguém vai brincar com a estabilidade da dívida'', acredita.
Uma alta mais forte dos juros, porém, será inevitável, segundo o economista do Santander. Ele acredita que o Conselho de Política Monetária (Copom) poderá definir um aumento na taxa básica de juros (Selic) superior a 0,5 ponto porcentual já em abril.
Schwartsman argumentou que a elevação dos juros vai responder a uma necessidade de reduzir o ritmo de crescimento do PIB. Ele disse esperar que a taxa Selic chegue a 12% ao final do ciclo de alta que será iniciado em abril, e possa estar no patamar de 11,75% em dezembro deste ano, ''sobrando pouco o que fazer em 2011''.
De acordo com ele, a alternativa ao aumento dos juros para desacelerar o crescimento da economia seria a redução do gasto público.


