Ação volta a ser aplicação mais rentável
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 31 de julho de 1998
Agência Estado 
As ações foram o investimento financeiro mais rentável em julho. Depois de três meses seguidos com variação negativa, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) deu a volta por cima, ao fechar julho com valorização de 10,63%, na liderança das aplicações que mais renderam no mês. Boa parte da valorização foi obtida após o bem-sucedido leilão de privatização do Sistema Telebrás, vendido com um ágio de 63,74%.
A arrancada nos últimos dias, aliás, fez com que a bolsa se recuperasse das perdas provocadas pelas declarações de Alan Greenspan, presidente do Federal Reserve (Fed), o banco central dos EUA. Em depoimento no Congresso, na semana passada, Greenspan voltou a pôr em dúvida a consistência da valorização das ações no mercado de Nova York. A bolsa nova-iorquina veio abaixo e arrastou também o mercado brasileiro de ações.
Entre as aplicações de renda fixa, a que apresentou melhor rentabilidade em julho foi, mais uma vez, o CDB para valores acima de R$ 100 mil, com 1,38%, seguido pelos fundos de investimento de 60 dias, com 1,36%. O rendimento nominal na renda fixa ficou ligeiramente abaixo do de junho, seguindo o corte da Taxa Básica do Banco Central (TBC), indicadora do piso de juros. Mas o juro real, em muitos casos, foi até ampliado, porque o Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M), foi negativo em julho, com -0,17%.
O generoso volume de recursos - boa parte deles em dólar - arrecadado com a venda da Telebrás possibilita que o governo mantenha os cortes graduais na TBC. Sem aparente prejuízo para o investidor doméstico, porque a expectativa é de continuidade de queda média de preços, puxada pelos combustíveis.
O mercado de ações ganhou novo vigor após o leilão da Telebrás, com o retorno do apetite de compra do capital estrangeiro. A questão é que a tendência das bolsas tem sido influenciada preponderantemente por duas variáveis externas: o comportamento da Bolsa de Nova York e a crise econômica no Japão e na Rússia. Um agravamento da crise nesses países ou uma queda forte da bolsa novaiorquina poderia neutralizar essa recuperação.


