A definição do preço mínimo para a venda do Banestado em R$ 434 milhões, valor abaixo do Patrimônio Líquido que ontem foi confirmado pelo banco como sendo R$ 535 milhões (balanço trimestral) deverá resultar em mais uma ação judicial contra a privatização. O Sindicato dos Bancários e um grupo de deputados da oposição pretendem entrar com ação no início de setembro para questionar o valor de venda, logo após a publicação em edital do preço mínimo. Pelos cálculos do Sindicato dos Bancários, o Banestado poderia ir a leilão por um preço bem superior, entre R$ 1,23 bilhão e R$ 2,34 bilhões.
Na avaliação dos bancários, o preço mínimo deveria levar em conta os créditos tributários que o Banestado tem com o governo federal e que o isenta do pagamento do Imposto de Renda pelos próximos 30 anos. Os créditos somam R$ 1,56 bilhão, um dos mais altos no sistema financeiro. ‘‘Quem comprar o Banestado ficará livre do pagamento do Imposto de Renda por todo esse período. Logo, se o banco for vendido por R$ 500 milhões, o novo dono leva de brinde R$ 1 bilhão’’, exemplificou o presidente do Sindicato dos Bancários, José Daniel de Farias.
O presidente do sindicato citou o caso do Banco da Bahia que foi comprado por R$ 258 milhões pelo Bradesco. Segundo Farias, somente no primeiro ano houve um abatimento de R$ 239 milhões em Imposto de Renda. ‘‘Dá para concluir que o banco saiu por R$ 19 milhões’’, afirmou.
A mesma crítica foi feita ontem por alguns deputados estaduais. O deputado José Maria Ferreira (PSDB) calcula que se o governo paranaense fizesse como foi feito no Maranhão, onde 28% dos créditos tributários foram considerados como patrimônio, o valor mínimo do Banestado chegaria a R$ 1,2 bilhão. ‘‘Esse é o grande mote da conta. O governo está dando um presente ao banco comprador’’, protestou Ferreira.
O líder do PMDB Nereu Moura disse que não há como explicar o preço mínimo. ‘‘A bancada de oposição não entende como foi usado R$ 5,4 bilhões para sanear o banco para depois vendê-lo por R$ 434 milhões’’, disse Moura.
Para rebater as críticas, o líder do governo Valdir Rossoni disse que a oposição usa um ‘‘raciocínio simplista’’, que não se aplica. Rossoni comentou ainda que poderá haver ‘‘surpresa’’ quanto ao ágio na hora da venda. ‘‘A expectativa é que o ágio seja de 30%’’.
As críticas feitas ontem por bancários e um grupo de deputados mostram que o governo terá de se preocupar com futuras ações. ‘‘Estão pagando para alguém comprar o Banestado’’, criticou o presidente do Sindicato dos Bancários.
O Patrimônio Líquido do banco divulgado ontem pela Folha, de R$ 473 milhões, referia-se ao balanço de 1999, mas o valor que está sendo utilizado é o trimestral, de R$ 535 milhões.

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