Ação pode suspender venda da Dixie em Londrina
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terça-feira, 11 de janeiro de 2005
Chiara Papali<br>Reportagem Local 
O empresário Alcides Vezozzo, de Londrina, deve entrar com uma ação na Justiça Federal pedindo a suspensão da venda da Dixie Toga S.A. na cidade. A compra da empresa foi anunciada na última semana por uma das maiores fabricantes de embalagens do mundo, a empresa norte-americana Bemis Corporation Inc.
A alegação, segundo Vezozzo, é que o terreno de 150 mil metros quadrados onde a fábrica está instalada, na Zona Norte da cidade, ainda é dele, já que não teria recebido da prefeitura o valor pela desapropriação do local. ''Como é que eles podem vender um terreno que não têm nem escritura?'', questionou.
A unidade da Dixie Toga em Londrina foi inaugurada em julho de 1998, mas a ''pendenga'' judicial, segundo Vezozzo, vem desde 1996, quando ocorreu a desapropriação do terreno. Ele explicou que na época, no terceiro mandato do ex-prefeito Antonio Belinati, foi feito apenas ''um depósito simbólico'' de cerca de 3% do valor do terreno, ''algo em torno de R$ 150 mil''.
Segundo o empresário, três ações correm na Justiça, em instâncias diferentes, cobrando da prefeitura os valores pendentes, inclusive da desapropriação do terreno de 165 mil metros quadrados onde está instalada a Atlas. ''Hoje, a área vale cerca de R$ 25,00 o metro quadrado, um pouco mais de R$ 7 milhões'', afirmou o empresário, que ainda vive próximo às fábricas numa área de cerca de 2 alqueires, ''o que sobrou'' da fazenda adquirida no final de 1977.
A reportagem da Folha procurou a direção da Dixie Toga, em São Paulo, mas segundo a assessoria de imprensa, o presidente da empresa, Walter Schalka, está em férias e não foi encontrado para se manifestar sobre o assunto. Também ontem, o procurador geral da prefeitura, Mauro Yamamoto, informou que estava em reunião e que não foi possível localizar o processo relativo ao caso.
A Bemis adquiriu 64,44% das ações da empresa brasileira, líder do setor na América Latina, por US$ 250 milhões. Na unidade londrinense, que emprega 1.150 funcionários, são produzidas embalagens flexíveis e descartáveis. A empresa também tem projetos na área de responsabilidade social na cidade, como implantação de coleta seletiva de lixo na fábrica e manutenção de uma creche. Na última semana, quando foi anunciada a venda, a assessoria de imprensa informou que não haveriam mudanças nas unidades fabris.


