Carmem Murara
De Curitiba
A empresa Goldmann Sachs recorreu à Justiça para tentar reverter a sua desqualificação e disputar a concorrência pública para avaliação e modelagem do Banestado - processo pelo qual o banco tem de passar para ser privatizado no próximo ano. A Goldmann foi desclassificada durante a abertura de licitação feita pela comissão da Secretaria da Fazenda, que retirou a empresa do processo por entender que ela não apresentava suficiente documentação.
Com a saída da Goldmann, o consórcio liderado pelo Banco Factor foi classificado para fazer o trabalho de modelagem e avaliação do Banestado, enquanto o grupo comandado pela CCF-Brasil ficou apenas com a precificação. As empresas só podem começar a atuar quando terminar o processo administrativo e judicial da Goldmann.
O presidente do Banestado, Reinhold Stephanes, disse que o impasse entre as empresas atrasa o processo de venda do banco à iniciativa privada. ‘‘No prazo máximo de um mês concluímos todo o processo de saneamento do Banestado e ficamos apenas esperando o trabalho das empresas que farão a modelagem’’, afirmou Stephanes.
As empresas que farão os dois serviços terão que indicar qual a melhor forma de venda do banco e buscar prováveis compradores no mercado, além de definir o preço. Quanto mais credibilidade elas tiverem, mais conseguirão viabilizar a venda do banco.
O Banestado será vendido no primeiro semestre do próximo ano, após ter todas as contas colocadas em dia. O banco será vendido com parte das empresas coligadas e, provavelmente, com Banco Del Paraná incluído. A idéia inicial do Banestado é vender o banco paraguaio num leilão marcado para o próximo dia 2 de setembro, na Bolsa de Valores do Paraná. Esta será a terceira tentativa de leilão, que já foi adiado por duas vezes.
O problema é que até agora não apareceu comprador para o Del Paraná. O prazo para que os interessados se pré-qualificassem terminou ontem às 19 horas, mas até as 18 horas ninguém tinha apresentado proposta. O presidente do Banestado não estava muito otimista. ‘‘Não aparecem compradores porque a situação econômica e política do Paraguai está muito difícil e não há interesse dos bancos investirem lᒒ, afirmou Stephanes, que esteve em Assunção, na semana passada, para uma conversa com os responsáveis pelo Banco Central paraguaio. Ele lembrou o caso do Itaú, que chegou a se pré-qualificar, mas dois dias antes do leilão desistiu da compra.

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