Ação de exportadoras exige atenção
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segunda-feira, 13 de janeiro de 2003
Agência Folha 
São Paulo Elas foram as vedetes de 2002. Recomendadas por nove entre dez gestores para momentos de crise, as ações de empresas exportadoras subiram muito no ano passado, enquanto ações de companhias com receitas em reais e endividadas em dólar eram reduzidas às cinzas. Este ano, com a valorização do real, as exportadoras tornaram-se menos atraentes.
A maioria dos analistas recomenda, de forma geral, manter os papéis de exportadoras, mas não a sua compra. Consideram que o câmbio está pressionado e que as ações podem cair mais. ''As ações ON da Vale do Rio Doce subiram quase 100% em 2002. Melhor esperar uma tendência sólida, ver como ficam as captações no exterior e o fluxo de recursos para o Brasil'', diz Valmir Celestino, gestor do Banco Safra.
O ajuste de preços tem sido implacável. A Vale acumula queda de 7,7%, em 2003; Embraer caiu 7%; Aracruz devolveu 5,18% em janeiro. O Ibovespa subiu 8,5%. Para especialistas em exportadoras, quando tiver encerrado o ajuste desses papéis, essas ações podem ter desempenho melhor.
O investidor buscou nos papéis de exportadoras proteção à alta do risco-país, em razão das incertezas eleitorais. Agora, volta-se aos mesmos papéis. Embratel, que caiu muito em 2002, acumula alta de 25% em janeiro; Telemar PN teve valorização de 13,3%.
Analistas divergem em relação à ação da Vale do Rio Doce. Para alguns, o papel passou o preço justo, que, para boa parte deles, gira em R$ 90,90. ''Temos ordem de venda para Vale porque o preço-alvo está abaixo do valor de mercado'', afirma Fábio Zagatti, do HSBC. A sugestão não é endereçada a quem aplicou recursos do FGTS. A analista Luciana Machado, da corretora Fator, recomenda manter os papéis, mas não comprar. Os papéis da Petrobras sofreram no ano passado, em razão do risco de interferência do governo. Ficaram desvalorizadas em relação a petrolíferas internacionais. Analistas dizem que o papel deve subir se o mercado consolidar a recuperação, mas discutem efeitos de uma guerra no Oriente Médio. Todo cuidado é pouco.


