Ação da Petrobras fecha abaixo de R$ 5
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terça-feira, 19 de janeiro de 2016
Fábio Galiotto<br>Reportagem Local 
As ações da Petrobras atingiram ontem o menor preço na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) desde junho de 2003, ao fechar o dia em R$ 4,80 na PN, queda de 7,16%, e R$ 6,30 na ON (com direito a voto), retração de 6,11%. O principal motivo foi a sequência de reduções na cotação do barril de petróleo Brent no mercado internacional, que ontem foi de US$ 27,10 (-5,05%). Porém, se há desconfiança sobre a saúde da empresa, analistas consideram que há tendência de que não ocorram reajustes de combustíveis em curto prazo.
Aliada às denúncias de desvios financeiros relacionados à Operação Lava Jato e ao corte de investimentos proposto pela empresa para enfrentar a crise, já contabilizados pelo mercado, a alta na oferta do petróleo nos últimos meses e a liberação do Irã para voltar a exportar o produto fizeram com que o preço do barril caísse ainda mais. O país é o segundo maior do mundo na extração da commodity e busca voltar à carga depois de uma década de sanções comerciais internacionais impostas pela adoção de um programa nuclear pelo governo.
No Brasil, analistas afirmam que há um outro fator que prejudica o preço das ações da Petrobras e, consequentemente, a capacidade de investimentos. O excesso de otimismo em anos anteriores em relação ao pré-sal, que tem custo maior de extração e que se torna pouco viável quando a cotação do petróleo está baixa. Para os ouvidos pela FOLHA, a situação contribui para a expectativa de que a baixa nas cotações não se reverta no curto e até médio prazos.
COMBUSTÍVEIS
Por outro lado, o sócio em Curitiba e consultor de investimentos da Inva Capital Raphael Cordeiro considera que não deve ocorrer reajuste de combustíveis no País, o que tende a diminuir a pressão inflacionária no caso específico. A gasolina e o diesel estão hoje com preços bem acima da cotação internacional, mesmo com a valorização do dólar aos R$ 4,03, no preço de ontem. "O preço da gasolina já poderia estar mais baixo do que é hoje no Brasil, mas não é reduzido porque prejudicaria a Petrobras", diz.
Cordeiro lembra que houve benefício anterior ao consumidor quando a empresa segurou os preços acima da cotação internacional, mas que demorará muito para recuperar as perdas de tantos anos. Mesmo porque, com a valorização do dólar, esse ganho diminuiu. Segundo o consultor, o barril de petróleo estava na casa dos US$ 48 em janeiro de 2015, com a cotação da moeda em R$ 2,70, o que deixava o preço convertido em torno de R$ 130. Hoje, com o barril em US$ 27 e o dólar a R$ 4,03, o custo no mercado brasileiro fica próximo de R$ 110, uma diferença de 15%. "É pouco e, se a Petrobras estivesse em boas condições financeiras, também não seria o caso de reduzir o preço dos combustíveis", considera. Em relação a uma possível retomada da produção de petróleo pelo Irã, o consultor ressalva que o país do Oriente Médio ficou dez anos sem atividade de extração e precisa recuperar o mercado e seu potencial tecnológico.
Para o consultor financeiro em Londrina Emerson Almeida, da Eu na Bolsa com Você, um novo reajuste de combustíveis também parece distante com as cotações atuais. "Essa disputa pelo preço internacional do petróleo é mundial e recorrente. Sempre ocorre na tentativa de favorecer ou desfavorecer países produtores, então existe um certo pessimismo exagerado"
Investimento
Cordeiro diz que, se as ações da Petrobras estão no menor nível desde 2003, quando bateram em R$ 4,70, o petróleo também está no piso desde fevereiro de 2004, a última vez que ficou abaixo de US$ 30. Ele afirma, porém, que há anos não aconselha a compra de ações da estatal para clientes. "Investir hoje não é bom porque a empresa vai se manter às custas da população. A Petrobras só não entra em recuperação judicial porque é pública e porque, apesar de endividada, tem o prazo das dívidas alongado, ao menos uma coisa feita direito pela administração."
Almeida, contudo, não descarta a aposta. O consultor lembra que se trata de uma empresa que mostrou para o investidor que não se preocupava com ele, já que aceitava desvios financeiros, por exemplo, o que desestimula a compra de ações. "Mas todo investidor deve saber que existe a expectativa de curto, médio e longo prazo. Neste momento, tranquilizá-lo sobre a chance de recuperação é difícil, mas uma subida de R$ 1 na cotação pode significar um bom lucro."
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