Arquivo FolhaJogo de cenaVicentinho: reunião foi um ‘‘teatro eleitoral’ Se depender das ações do governo, o desemprego continuará muito alto no País e o desempregado, sem qualquer política que atenue seu sofrimento. A avaliação foi feita ontem pelo presidente do Central Única dos Trabalhadores (CUT), Vicente Paulo da Silva, que prepara para maio um acampamento em Brasília e uma manifestação, na qual pretende reunir milhares de pessoas.
A opinião dele coincide com a do presidente da Força Sindical, Luiz Antônio de Medeiros, que qualificou como ‘‘frustrante’’ o resultado da reunião ministerial de sexta-feira para tratar do assunto. Os 14 maiores sindicatos da Força Sindical também têm uma grande atividade programada para protestar contra o desemprego: a manifestação de 1º de Maio em São Paulo, com participação esperada de 100 mil pessoas.
‘‘O governo não fez um gesto concreto para combater o desemprego’’, afirmou Medeiros. Para Vicentinho, a reunião foi transformada num ‘‘teatro eleitoral’’, sem qualquer ligação com a agenda necessária para promover crescimento econômico.
O presidente da CUT lançou ontem a campanha nacional contra o desemprego, com calendário de atos públicos e itinerários de cinco caravanas que percorrerão o País a partir do dia 1º e Maio, rumo a Brasília. Junto com a CUT estão movimentos de sem-terra, sem-teto, estudantes, partidos de esquerda e várias ONGs.
Arquivo FolhaMedidas inócuasMedeiros: ‘‘governo não faz um gesto concreto’’
A CUT reivindica mudanças na política econômica: redução da jornada de trabalho, queda dos juros, mudança na política de importação de modo a preservar a indústria nacional, investimentos em infraestrutura, reforma fiscal e tributária e outras.
A Força Sindical quer também a redução de jornada, compensada por redução e impostos para que as empresas mantenham capacidade de competição em relação aos fabricantes estrangeiros. O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, filiado à Força, Paulo Pereira da Silva, disse que acredita numa negociação entre o governo e as centrais para reduzir jornada, depois das várias manifestações de maio. ‘‘Até por ser ano eleitoral, o governo vai ter que negociar conosco.’’
Só intenção As medidas de combate ao desemprego anunciadas na sexta-feira pelo governo representam, na avaliação do economista da PUC-RJ, Edward Amadeo, apenas uma série de intenções. ‘‘De fato, não há nada.’’ Segundo o economista, o momento exigia uma proposta mais concreta como, por exemplo, elaboração de uma política de emprego que reunisse todas as entidades que lidam com trabalho no País: Senai, Sebrae e Senac. Essas instituições, patrocinadas por recursos públicos, deveriam, a seu ver, estar sob um mesmo comando.
Atualmente, são administrações regionais, distintas uma das outras, têm um bom orçamento e estão nas mãos do setor privado. Amadeo sugere uma coordenação do governo e uma gestão tripartite, nos moldes do Conselho do Fundo de Amparo ao Trabalhador (Codefat). ‘‘Acho que há condições de se fazer no Brasil uma política de emprego que reúna todas as entidades do setor’’, afirmou.
Em relação ao estímulo do governo às pequenas e médias empresas, o economista defende a criação de uma infraestrutura para dar suporte ao setor, em lugar de crédito subsidiado. Sem isso, sem um centro de prestação de serviços, avalia, dificilmente elas vão sobreviver.

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