Depois de dois anos e quatro meses, o principal executivo da Mesbla, José Paulo Amaral, anunciou ontem, emocionado, o fim da concordata da companhia. Agora, assim que acabar o prazo para recursos da sentença da juíza da 7ª Vara de Falências e Concordatas, Márcia Cunha, será realizada uma assembléia de acionistas para que a holding United, do empresário Ricardo Mansur, assuma o controle da Mesbla. Amaral acredita que isso será feito em 30 dias. ‘‘Até o dia 13 de janeiro esse processo deverá estar concluído’’, afirmou.
Mansur, que é dono do Mappin, adquiriu o controle da companhia assumindo as dívidas da Mesbla, inclusive o débito fiscal de aproximadamente R$ 250 milhões, que foi renegociado com os Estados onde a empresa atua. Ele pagará ainda R$ 100 milhões em 15 anos com 2% de juros, por ano e sem correção monetária. A juíza considerou a concordata preventiva da companhia cumprida ‘‘tendo em vista que o depósito das duas parcelas (de pagamento aos credores que não aderiram ao acordo feito pela direção da companhia) e a existência de saldo em favor da concordatária em conta de depósito judicial, a disposição do juízo no valor de R$ 946.377,31’’. Foram pagos ainda cerca de R$ 20 milhões aos credores que não aderiram ao acordo.
A Mesbla tinha dívidas de R$ 850 milhões na data da concordata. Cerca de R$ 650 milhões, devidos a fornecedores da companhia, foram convertidos por ações da Mesbla. Os outros R$ 250 milhões são dívidas fiscais que tiveram o seu prazo de pagamento alongado, conforme explicou o advogado da Mesbla, Hamilton Prisco Paraíso Júnior. Outro advogado da companhia, Francisco Mussnich, informou que as ações da Mesbla deverão voltar a ser negociadas nas Bolsas de Valores até março do ano que vem, depois que for publicado o balanço da empresa.
No primeiro trimestre deste ano, a Mesbla registrou prejuízo de R$ 75 milhões. Amaral não quis revelar como estão as contas da companhia neste final de ano. Ele disse apenas que as vendas de Natal estão acima das expectativas da direção da empresa. Em 1996, conta Amaral, a Mesbla teve um prejuízo de R$ 500 milhões. ‘‘Não tenho epectativa de um resultado positivo esse ano, mas se zerar já estamos muito bem’’, afirmou.
O executivo contou também que as relações da Mesbla com seus fornecedores está regularizada. ‘‘Compramos normalmente com prazos de 60 e 90 dias’’, disse. Além disso, Amaral informou que foram admitidos 1.500 trabalhadores temporários neste Natal.

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