Abundância na colheita derruba preço no campo
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quinta-feira, 17 de julho de 2003
Vânia Casado<br> Equipe da Folha 
Curitiba A superintendência da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) no Paraná divulgou ontem a conclusão da safra 2002/2003, que aponta para uma superprodução de milho e soja no País. Dos 120,2 milhões de toneladas de grãos, foram colhidos 52,2 milhões de toneladas de soja, das quais 10,79 milhões de toneladas no Paraná. Entre o milho da primeira e segunda safra, estão sendo colhidos um total de 45,8 milhões de toneladas, sendo 12,46 milhões de toneladas no Paraná.
Se por um lado a abundância na colheita de grãos está contribuindo para o superávit da balança comercial brasileira, por outro está derrubando os preços no campo, principalmente para os produtores de milho. A produção anunciada está abaixo do consumo previsto que é de 37 milhões de toneladas. O preço pago ao produtor caiu abaixo do custo de produção e o governo federal já anunciou intervenção no mercado, através da Conab.
A compra de milho diretamente do produtor será efetivada nos estados da região central do País. Para o Paraná ainda não está prevista a compra direta. Mas só o fato de haver enxugamento do excesso de produção com as compras diretas anunciadas para a região central e através dos contratos de opção a pressão de venda será reduzida, acredita o técnico da Conab, Eugênio Stefanello.
Ele prevê que o governo fará um estoque de milho de 4 milhões de toneladas e as cooperativas devem exportar um total de 3,7 milhões de toneladas. O governo já lançou contratos de opção para enxugar 1,35 milhão de toneladas e está previsto lançar novos contratos para absorver mais 1,5 milhão de toneladas de milho. Diante dessas estratégias, o técnico recomenda ao produtor esperar um pouco mais para vender sua produção, porque os preços podem reagir no mercado.
Com a soja, a situação é semelhante. Se houve superprodução nos principais países produtores como Estados Unidos, Brasil e Argentina, houve também um aumento significativo da demanda no mercado exerno. Stefanello disse que os preços da soja não vão reagir como ocorreu no ano passado, quando uma saca de soja foi vendida por R$ 45,00. O câmbio está mais baixo e a cotação externa está estabilizada. Por isso, além de recomendar calma nas vendas o técnico orienta que o agricultor não faça ''loucuras'' de investir pesado na compra de terras e máquinas como fez no ano passado.


