Não há empresa que sobreviva sem muito trabalho e persistência. Quem tem uma empresa de sucesso sabe e quem já quebrou uma também. Segundo o Sebrae, o índice de mortalidade das empresas nos seus dois primeiros anos de vida chega a 50%. Poucas conseguem superar cinco anos com as portas abertas. E nenhuma das sobreviventes consegue se manter no mercado sem que seja despendido um esforço hercúleo.
''Em 30 anos atuando em contabilidade no Paraná, eu vi inúmeras empresas fecharem suas portas por vários motivos. Porém, a maioria que cresceu tem alguns pontos em comum'', diz o presidente Sindicato das Empresas de Consultoria, Assessoria, Perícias e Contabilidade de Londrina (Sescap-Ldr), José Joaquim Ribeiro. Segundo ele o ambiente econômico do Brasil, com uma carga tributária que está entre as maiores do mundo e uma burocracia interminável, não favorece as empresas e exige um esforço muito maior do que é necessário em países que tem uma economia mais livre.
Algumas regras são básicas para que o empreendimento tenha sucesso, afirma Ribeiro. A primeira delas é estudar bem o mercado e se municiar de todas as informações possíveis antes de se aventurar a abrir as portas. ''Cada negócio tem sua peculiaridade e a não observação a esta regra fez muita gente quebrar nos últimos anos. Não adianta abrir uma boutique com roupas caríssimas num bairro de baixa renda na periferia. Se a idéia é abrir um restaurante self service o local a ser escolhido necessita de um grande fluxo de pessoas. Outro exemplo são os ex-funcionários de empresas públicas ou privadas que entraram nos Programas de Demissão Voluntária (PDVs). Ao receberem uma boa quantia em dinheiro, arriscaram tudo em empreendimentos que não conheciam e que não dominavam'', explica Ribeiro.
Segundo ele, outra regra é saber que toda empresa tem um tempo de maturação que varia de negócio para negócio. No comércio, nos dois primeiros anos, é muito raro a empresa dar lucro. E o pouco que sobra é preciso reinvestir na própria empresa. No setor industrial, conforme Ribeiro, o período de maturação é um pouco maior, chega a cinco anos. Um dos principais erros cometidos pelo empresário de primeira viagem é imaginar que o dinheiro que entra no caixa é todo seu e que ele pode gastar a vontade. ''O empresário abre uma loja de roupas, vende umas peças vê o dinheiro no caixa, e acha que pode pegar e usar. Ele se esquece que a loja tem um custo fixo - aluguel, água, luz telefone, encargos sociais, folha de pagamento - além dos impostos, manutenção do estoque e uma série de outros gastos. Quando percebe o que fez a loja se tornou inviável'', diz Ribeiro.
As empresas, segundo ele, que sobrevivem e crescem têm algo em comum: seus donos trabalham feito loucos, reinvestem na empresa e não perdem o foco do negócio.
Mas se uma empresa de sucesso leva anos para se firmar, para quebrar bastam algumas semanas. ''Já vi empresas em Londrina que quebraram em menos de 40 dias. Um erro cometido pode colocar tudo por água abaixo. É preciso estar atento o tempo todo. Quando a empresa perde o crédito e a credibilidade é muito difícil recupera-la'', afirma Ribeiro.
Fonte - Sindicato das Empresas de Consultoria, Assessoria, Perícias e Contabilidade de Londrina (Sescap-LDR)

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