Abric denuncia empresa que vem ao PR
A fábrica belga de tapetes e carpetes Beaulieu, que vai se instalar no município de Ponta Grossa, é acusada de ter desviado recursos recebidos do governo da Bélgica. A denúncia foi feita ontem pela Associação Brasileira da Indústria de Carpetes (Abric). Segundo dados coletados pela Abric na França e Estados Unidos, a Domo - subsidiária da Beaulieu na Europa - teria se apropriado indevidamente de um financiamento do governo belga. A prefeitura de Ponta Grossa assegura que a empresa não pertence à ramificação da Beaulieu que se instala no município.
A denúncia foi publica em jornais norte-americanos como o Citzen News e belgas como o Le Soir. Abric tem interesse em divulgar a iformação porque enxerga na Beaulieu uma concorrente que vai tirar mercado. Nos preocupa o fato de ela se instalar no Paraná com todos os incentivos fiscais que nós não temos. Allém disso ela tem pendência judiciais fora do País, reclama o presidente da Abric e vice-presidente da Tabacow, Flávio Carelli.
A matéria do jornal belga informa que a Domo emprestou cerca de US$ 24 milhões do governo da Bélgica. O negócio teria sido julgado ilegal pela comissão européia. Jan de Clerk e sua mulher Martine, que respondem pela empresa, foram acusados de ter desviado parte do dinheiro recebido como comissão por vendas em outros países. O dinheiro foi usado para fazer investimento ilícito, diz o jornal.
De Clerk se defende, dizendo que pretendia usar o dinheiro para comprar uma empresa chamada Fabelta. A subsidiária norte-americana da Beaulieu também estaria sendo investigada pelo FBI e pela alfândega Receita Federal norte-americana.
O jornal Le Soir conta ainda que o casal De Clerk foi preso por duas vezes no ano passado, em setembro e novembro, devido às acusações. Jan de Clerk é cunhado de Stephen Colle, responsável pela abertura da fábrica em Ponta Grossa.
O secretário da Indústria e Comércio de Ponta Grossa, Herculano Gianesella Lisboa, assegura que há apenas uma relação de parentesco entre De Clerk e Colle. Todo o grupo pertencia ao patriarca Roger de Clerk, que dividiu o patrimônio entre os filhos. Cada um tem um negócio independente, afirmou. Ele disse que a empresa que se instala no município é uma ramificação da fábrica da África do Sul, empresa sem nenhuma pendência jurídica.
O Beaulieu se comprometeu em investir R$ 30 milhões na fábrica de carpetes de Ponta Grossa, onde pretende gerar 350 empregos diretos. A Secretaria de Indústria e Comércio informou que a empresa começa a produzir no segundo semestre. As obras ainda não começaram, mas o terreno já foi reservado para a fábrica. A prefeitura doou o terreno para a Beaulieu, que recebeu também isenção do pagamento do ICMS por quatro anos.
A Folha tentou falar com o responsável pela Beaulieu no Brasil, João Francisco Orta Fernades, mas ele não foi localizado. A secretária do escritório da Beaulieu em São Paulo disse que ele só retornaria no final da tarde. A Folha tentou contato pelo celular, que estava desligado.





