Abribusiness quer atrair investimentos da Alemanha
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segunda-feira, 10 de setembro de 2001
Paula Puliti 
É muito mais interessante para o Brasil, na conjuntura atual, discutir formas de atrair investimento direto alemão para o setor do agronegócios do que ampliar imediatamente as exportações para a Alemanha - como membro da União Européia, o país se submete às regras protecionistas do bloco.
A opinião é do presidente da Associação Brasileira de Agribusiness (Abag), Roberto Rodrigues, que se reuniu ontem com o vice-ministro de Agricultura da Alemanha, Gerald Thalheim, no último dia de sua visita de três semanas ao Brasil.
Rodrigues acredita que o incremento do investimento direto alemão em setores exportadores do agronegócio fará com que os próprios empresários alemães com investimentos no País passem a pressionar pela abertura do mercado europeu aos produtos brasileiros. O empresário explicou que, apesar de a Alemanha ter uma postura mais flexível em relação à redução de subsídios e do protecionismo na União Européia, a resistência à abertura é muito grande por parte de parceiros do bloco, como França e Irlanda.
Para Rodrigues, o setor sucro-alcooleiro é um dos que têm maior potencial para chamar investimentos alemães, sejam na forma de fusões, aquisições ou parcerias. Isso porque, disse, a produção de cana caiu muito e os preços do açúcar subiram no mercado internacional, o que torna o segmento atraente. ''Os alemães poderiam produzir açúcar e álcool aqui e exportar para a Europa'', sugeriu Rodrigues. A Bayer, por exemplo, que tem investido bastante no Mercosul, é uma das empresas com potencial de ingressar nessa área.
Ele ressaltou que a proteção do açúcar na Europa é muito grande, além de a produção e as exportações serem fortemente subsidiadas. Essa situação dificulta não apenas a venda do produto brasileiro na União Européia, mas impacta as exportações do Brasil para terceiros mercados em função da concorrência subsidiada. A Europa produz açúcar, a partir da beterraba, por um custo médio de US$ 700/t. O Brasil obtém o produto a partir da cana, com custo de produção de US$ 200/t.
A mesma estratégia, segundo Rodrigues, pode ser adotada no segmento de suco de laranja. Nas área de soja, milho e algodão, por exemplo, Rodrigues ressalta que o País ainda tem toda uma fronteira em fase de exploração com potencial para atrair investimento cooperativo. ''A Abag está muito mais interessada em atrair recursos'', reiterou o empresário.
Balança A balança comercial brasileira com a Alemanha tem sido deficitária. Em 1999, o Brasil exportou US$ 2,54 bilhões (US$ 1 bilhão em produtos do agronegócio) e importou US$ 4,751 bilhões. No ano seguinte, foram US$ 2,52 bilhões em vendas (US$ 1,18 bilhão em agronegócio) e US$ 4,42 bilhões em compras. O Brasil exporta para a Alemanha, nessa área, sobretudo café, chás, especiarias, soja, carne, tabaco, sucos de frutas e conservas.
No mesmo encontro com o vice-ministro alemão, o secretário de Agricultura do Estado de São Paulo, João Carlos Meirelles, sugeriu que a Alemanha substitua o MTBE, aditivo de combustíveis altamente tóxico, por álcool de origem vegetal. Dessa forma, a produção de açúcar da União Européia poderia suprir esse novo mercado, acabando com o excedente exportável. ''Assim, os europeus parariam de prejudicar os exportadores competitivos'', enfatizou o secretário paulista. Meirelles afirmou que o açúcar europeu, alta mente subsidiado, abastece 18% do mercado mundial da commodity, ocupando espaço de produtores eficientes, como o caso do Brasil. Ele ressaltou que a Alemanha tem condições de conduzir essa substituição sem alterar o sistema de injeção de combustível de seus veículos.


