A Associação Brasileira dos Produtores de Sementes (Abrasem) divulgou nota de apoio à emissão de certificado para registro das cultivares geneticamente modificadas e alertou para o fato de que se a soja não for liberada logo, em três anos o plantio ilegal de transgênicos ocupará 60% da área plantada com a leguminosa no Brasil.
Segundo João Lenine Bonifácio e Souza, presidente da entidade, cerca de dois terços da área plantada no Rio Grande do Sul na próxima safra não serão mais cultivados com sementes certificadas e fiscalizadas. ‘‘Os agricultores preferem plantar soja geneticamente modificada produzida ilegalmente no Brasil’’, diz.
Pelas estimativas da Abrasem, nesta safra cerca de 2 milhões de hectares de soja transgênica serão cultivados ilegalmente no Rio Grande do Sul, 300 mil hectares no Paraná e 200 mil hectares no Centro-Oeste.
João Lenine Souza disse que o setor está preocupado com a falta de regulamentação para a comercialização de sementes geneticamente modificadas no País porque está perdendo mercado para o comércio ilegal de sementes.
‘‘Estamos aguardando as regras para o plantio de sementes transgênicas para que os nossos produtores possam competir em condição de igualdade com os outros produtores, que hoje aproveitam os benefícios dessa tecnologia’’, diz.
Ele argumenta que com o atraso na liberação da soja transgênica, os produtores brasileiros podem ficar desestimulados, ‘‘pois estão investindo no desenvolvimento de novas cultivares e tecnologias em parceria com instituições de pesquisa e universidades. Nesse cenário, haverá diminuição da produtividade, rentabilidade e competitividade da agricultura brasileira no médio prazo’’.
A Abrasem declarou seu apoio ao decreto que define as regras para a rotulagem de alimentos embalados com organismos geneticamente modificados. ‘‘Com a rotulagem, o consumidor poderá decidir se quer ou não consumir esse tipo de alimento. Isso é um direito do cidadão.’’

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