Abras reduz projeção de crescimento para 1,9%
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quarta-feira, 27 de agosto de 2014
Dayanne Sousa<br>Agência Estado 
São Paulo - A Associação Brasileira de Supermercados (Abras) reduziu a projeção de crescimento das vendas do setor para este ano. A entidade, que até o momento projetava alta de 3% para as vendas no ano, reduziu a estimativa para 1,9%. A possibilidade de redução das projeções de crescimento já havia sido anunciada pelo presidente do conselho consultivo da Abras, Sussumu Honda. A expansão de 1,9%, se confirmada, será a menor do setor desde 2006, quando os supermercados tiveram queda real nas vendas de 1,59%.
"Nós sabemos que a demanda, não só no nosso setor, deu uma arrefecida", declarou Honda. "Estamos falando de um crescimento praticamente vegetativo, não é uma expansão", completou. Ele ainda ressaltou que a projeção ainda considera estimativas mais otimistas para o Natal do que o que se concretizou ao final de 2013, quando já houve arrefecimento.
No acumulado do ano até julho, as vendas do setor cresceram 1,48%. Apesar de a projeção de crescimento para o acumulado de 2014 ser inferior ao de anos anteriores, o presidente do conselho da Abras ressaltou que espera que as vendas nos próximos meses sejam beneficiadas pela tendência de estabilidade nos preços de alimentos.
Marcas
O varejo de alimentos tende a ser mais resiliente em períodos de desaceleração do consumo, mas a Abras avalia que este ano já é possível identificar movimentos de cautela por parte das famílias. A frequência de ida aos supermercados tem se reduzido, de acordo com a entidade, ao mesmo tempo em que aumentou a sensibilidade a preço e a procura por marcas e itens mais acessíveis.
Honda considera que há alguns anos o consumo no Brasil passou por um processo de migração para marcas "premium" e que hoje esse processo se estanca. Ele destacou que a desaceleração do crescimento da renda e o temor quanto ao desemprego afetam a confiança do consumidor e provocam tais efeitos.
O executivo ainda considerou que tendem a se beneficiar nestes momentos formatos de lojas que operem com menor custo e consigam ter preços mais competitivos. É o caso do atacado de autosserviço, o qual Honda ressaltou que vem tendo forte expansão, sobretudo no Nordeste.
Outro modelo de loja que vem recebendo mais investimentos das redes de varejo é o minimercado e loja de conveniência. Nestes casos, Honda considera que há outros fatores motivando esse crescimento, como a necessidade de as lojas estarem mais perto do consumidor. Ele ainda ressaltou que há dentro desse tamanho de loja modelos que operam com preços mais baixos, como aquele conhecido como "hard discount".
Cesta Abrasmercado
A AbrasMercado, cesta de 35 produtos de largo consumo, analisada pela GfK a pedido da Abras, apresentou queda de 1,54% em julho em relação a junho deste ano, passando de R$ 377,40 para R$ 371,60. Na comparação com julho de 2013, o indicador cresceu 4,26%.
Os produtos com maiores altas em julho, na comparação com junho, foram: pernil (+6,88%), biscoito maisena (+3,63%), queijo mussarela (+3,19%). As maiores quedas foram impulsionadas por tomate (-23,57%), batata (-22,18%) e leite (-3,92%).


