Abras quer maior garantia de cheques
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terça-feira, 24 de maio de 2005
Marcia Furlan<br>Agência Estado 
São Paulo A Associação Brasileira de Supermercados (Abras) está iniciando conversações com entidades do setor de comércio e de serviços para uma ação conjunta visando conseguir dos bancos maior segurança para o recebimento dos cheques. A intenção é que seja aprovada uma lei, a exemplo do que existe em alguns países, que obrigue os bancos a arcar com o pagamento de cheques sem fundos até um valor estipulado.
A inadimplência média no setor de supermercados com cheques é de 1,5% do faturamento bruto e vem crescendo. O presidente da entidade, João Carlos de Oliveira, adverte que o porcentual pode parecer pequeno mas está próximo à margem de lucro líquido média do setor, que em 2004 ficou em 1,8%. Considerando o faturamento global de R$ 97,7 bilhões no ano passado, representou R$ 1,46 bilhão.
Oliveira argumenta que os cheques vêm perdendo participação entre os meios de pagamento para os cartões de crédito e de débito, mas ainda é um instrumento muito utilizado pelos consumidores responderam por 13,1% das vendas em 2004 e precisam continuar sendo aceitos. Ele ressaltou que já existem supermercados que estão recusando este instrumento para evitar o calote, porém é uma medida que reduz a competitividade da empresa.
Os serviços de consulta e verificação de cheques, que poderiam ser um antídoto contra o calote, apresentam custos muito elevados e não detectam rapidamente eventual falta de saldo de correntistas, justificou Oliveira.
A Abras está discutindo a proposta com a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas, o Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares e associações comerciais a fim de chegar a um projeto final a ser apresentado aos bancos. O grupo pretende ainda atrair outras entidades para iniciativa, como o do setor de postos de combustíveis.
Embora o uso do cheque seja sistematicamente desestimulado pelos bancos e a inadimplência esteja crescendo, ainda é um meio de pagamento atraente ao comércio se comparado aos cartões. A cada pagamento realizado com plástico, a empresa paga uma tarifa sobre o valor da transação que não tem caído apesar do aumento da escala (varia de 1,5% a 3% para débito e 2% a 5% para crédito).
No caso do cartão de crédito, o comércio reclama ainda dos longos prazos para reembolso, de em média 30 dias, contra no máximo 10 dias de outros países, inclusive latino-americanos. Os cartões (excluindo os private label) responderam por 34,6% das vendas dos supermercados no ano passado, segundo levantamento da Abras.


