As direções das cooperativas de agricultores de Rolândia (Corol) e Orlândia (Carol, em SP) dizem que vão entrar nos próximos dias com ação de perdas e danos contra o grupo japonês Itochu Corporation, maior acionista da Eximcoop. Miguel Abrão, vice-presidente da Corol, viaja hoje para Ribeirão Preto, onde se encontra com diretores da Carol para acertar os últimos detalhes da ação, que segundo ele, vem sendo discutida desde novembro do ano passado, quando o grupo Itochu anunciou a falência da Eximcoop.
Em entrevista concedida ontem à Folha, Abrão informou que soube da solicitação do grupo japonês ao Ministério Público para investigar operações da exportadora há apenas 10 dias. ‘‘Todas as nossas operações foram auditadas e os japoneses sabiam exatamente o que estavam comprando. Os valores que eles citam de US$ 6,6 milhões como contas ilegítimas não existem porque não temos contas ilegítimas. Todas as nossas operações e as do grupo Itochu eram auditadas pela KPMG’’.
Abrão disse que estranha a justificativa dada pelo grupo de que o processo de autofalência se tornou irreversível após ‘‘a descoberta do esquema de pagamentos irregulares no exterior’’. ‘‘Como um grupo deste pede falência por um valor que representa 1% do faturamento anual da empresa?’’ Segundo ele, o faturamento consolidado da Eximcoop, em 98, foi de US$ 659.828.000.
Segundo Abrão, a aproximação da Eximcoop, até então formada por seis cooperativas (três das quais paranaenses) com o grupo japonês começou em 97. ‘‘Em 96 começamos a buscar um sócio para podermos ampliar os negócios da companhia. Nessa época contratamos o Banco Interatlântico (hoje Boa Vista) para fazer um estudo mostrando as projeções futuras da companhia. Com base nesses dados começou a negociação’’.
Em 97, executivos do grupo visitaram algumas cooperativas, produtores e unidades que formavam a Eximcoop. ‘‘Não escondemos nada das operações feitas pela companhia,’’ relatou Abrão. Ele acrescentou que a companhia, desde 93, foi auditada pela KGPM, que também auditava a Graincoop (subsidiária da Eximcoop localizada em Aruba). ‘‘Todos os anos as cooperativas se reuniam com a KPMG, quando discutíamos os aspectos de risco da companhia. Sempre nos foi informado que a companhia ia muito bem.’’
Mesmo com os dados dos estudos do Banco Interatlântico e de uma consultoria contratada pelo grupo (a Trevisan Auditores), Abrão diz ter sugerido e o grupo japonês acatado, realizar uma consulta à empresa KGMP sobre os números da Eximcoop. A compra das ações da companhia pelo grupo japonês foi concluído no início de 99, quando o dólar teve uma alta considerável. ‘‘Os japoneses consultaram outro banco para saber se era uma boa hora para a compra da companhia, o banco disse que era e então os negócios foram concluídos’’.
A partir daí, prosseguiu ele, foi realizada uma assembléia geral, eleitos os membros do conselho, da Diretoria Executiva e os japoneses passaram a conduzir a Eximcoop. ‘‘Em menos de três meses começamos a notar uma paralisação nas atividades da empresa. Os negócios não andavam e nós não tínhamos mais acesso ao que estava acontecendo. Passamos o ano de 2000 inteiro sem ter notícias’’.’’
Miguel Abrão também disse serem mentirosas as acusações do grupo com relação a supostos depósitos em sua conta. De acordo com a notícia-crime oferecida pelo grupo ao Ministério Público Federal, ele teria tido depositado em sua conta cerca de US$ 230 mil. ‘‘Nunca recebi meu pró-labore em dólar. Eu recebia em reais e o valor era determinado pelo Conselho de Acionistas da companhia. Eu coloco minhas contas à disposição para qualquer averiguação.’’ (Benê Bianchi)

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