Curitiba A utilização de cal irregular, fora dos padrões de conformidade da indústria, vem gerando uma série de problemas para o consumidor como rachaduras de paredes, umidade, comprometimentos dos revestimentos como pisos e azulejos ou mesmo desabamentos de tetos e paredes.
No Paraná, segundo maior produtor de cal do País, o índice de irregularidade corresponde a 21% das marcas disponíveis no mercado. No Estado, cinco marcas de produtoras de cal estão na mira do Ministério Público porque produzem produtos irregulares. Caso as empresas não se adequem no prazo recomendado, serão multadas em R$ 200 em cada saca encontrada no mercado, avisou a promotora de Justiça Vera Lúcia Pitta.
No País, o programa brasileiro de produtividade e qualidade está monitorando 80 marcas de cal em 18 estados brasileiros. Desse total, 24 marcas são de empresas que estão se adequando às normas de qualidade e 56 delas não aderiram ao programa e produzem fora do padrão de qualidade.
Para reduzir as irregularidades, a Associação Brasileira dos Produtores de Cal (ABPC) e a Coordenadoria de Defesa do Consumidor do Paraná (Procon-PR) firmaram um termo de cooperação para combater a ilegalidade no comércio varejista. O coordenador do Procon Algaci Tulio prometeu intensificar as visitas dos fiscais no comércio varejista e recomendar a retirada dos produtores irregulares. Em relação às marcas que não se adequarem ao programa de qualidade, Tulio disse que dará andamento ao processo de notificação e aquela que não apresentar defesa convincente será multada.
Tulio acredita que um acordo entre o Procon, Ministério Público e produtores conscientes pode ajudar o índice de irregularidades, semelhante ao que aconteceu o setor de combustíveis, onde o índice de fraudes foram reduzidos a 2% ou 3% no Estado, disse. ''Assim como conseguimos melhorar a qualidade do combustível vendido no Paraná, vamos conseguir também com o cal hidratado'', complementou.
As irregularidades denunciadas pela ABPC foram confirmadas pelo Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro), que elaborou um diagnóstico dos produtos colocados à venda no mercado. O problema, segundo o estudo, é que as fábricas utilizam nome fantasia com a expressão ''cal'', mas a estrutura do produto é outra, com 100% de impurezas.
Para o engenheiro civil, Fábio Vieira, são muitos os exemplos de utilização de cal irregular no centro de Curitiba. Ele apontou edifícios com fissuras, rachaduras de parede, desplacamento de pastilhas e outros danos. Esses problemas começam a aparecer depois de seis meses da obra pronta, explicou.
Para o consumidor desavisado, Vieira recomendou a compra de cal hidratado com o selo de qualidade da ABPC e da cal virgem paranaense (selo de qualidade da Associação Paranaense dos Produtores de Cal - APPC). Em caso de obra pronta, o consumidor pode pedir à construtora a relação dos produtos utilizados e as marcas correspondentes, sob pena de responsabilização dessas empresas, avisou o engenheiro.

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