Abono 'irriga' economia com R$ 900 mi
Israel Reinstein
De Curitiba
O mercado paranaense terá até o fim do mês uma injeção de cerca de R$ 450 milhões, com o pagamento da primeira parcela do 13º salário. Esses recursos representam a metade do total do benefício, estimado pelos economistas em R$ 900 milhões. O dinheiro vai servir para que um número significativo de pessoas saia dos cadastros de proteção ao crédito, além de gerar emprego e aumento nas vendas, avalia o vice-presidente da Associação Comercial do Paraná, Elcio Ribeiro.
Ribeiro acredita que a primeira parcela do benefício, a ser paga até o dia 30, será utilizado pela maioria dos trabalhadores para quitar dívidas. Entre o fim de novembro e a segunda quinzena de dezembro, o Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC) registra em Curitiba a queda de 10% a 20% dos inadimplentes. Atualmente, 40% da população economicamente ativa da Região Metropolitana de Curitiba (próximo de 500 mil pessoas) está endividada.
Com a segunda parcela, o consumidor deverá manter a tradição, comprando presentes e, em alguns casos, realizar novos endividamentos, aposta Ribeiro. Ele estima um aumento nas vendas desse período de 12% em relação ao ano passado. Em função da elevação na demanda, os comerciantes estimam crescimento nas contratações de emprego temporário. Ao todo está prevista a contratação de 15 mil pessoas no comércio da capital.
Menos otimista está o supervisor técnico do Departamento Intersindical de Estudo Estatístico e Sócio Econômico (Dieese), Cid Cordeiro. O economista acredita que o consumidor deverá gastar menos neste Natal. Um dos fatores que desestimularia as compras seria a alta das tarifas públicas. Houve uma queda da renda real, em função da própria inflação, de 3% a 5%, que deve se somar às perdas em função da alta da gasolina, luz, entre outros tributos, avalia.
Mesmo com este cenário, o presidente do Conselho Regional de Economia (Corecon), Luiz Eduardo Sebastiani, acredita que a tradição desse período deverá manter o consumo acima do que foi no ano passado. A renda do trabalhador não deverá ser muito diferente da 1998, afirma.
Para Sebastiani, uma da grandes preocupações é que o consumidor novamente volte a se endividar com as compras natalinas.O trabalhador deve evitar a todo custo criar novas dívidas, diz. Ele sugere que as pessoas façam suas compras apenas depois de quitarem os débitos.
Os juros praticados pelos instituições financeiras e também pelo comércio estão muito altos, por isso é preferível evitar que as dívidas cresçam, afirma. Atualmente, a taxa do cartão de crédito gira em torno de 10% ao mês, sendo que o cheque especial oscila em 9% e do comércio entre 6% a 8%.
Sebastiani aconselha que o consumidor pesquise bastante antes de comprar. A situação não está fácil também para os comerciantes, por isso pesquise e negocie preços, afirma. Caso após a maratona de compras sobre dinheiro, o economista sugere que se guarde como reserva. Apesar das esperanças do governo federal de melhorias, o cenário para o próximo ano ainda é incerto, adverte.Primeira parcela sai até o dia 30 e deve ser utilizada pelos trabalhadores do Estado para zerar dívidas e limpar o nome
Arquivo FolhaCADASTRO LIMPOEm Curitiba, 40% da população economicamente ativa cerca de 500 mil pessoas está endividada. Para Cid Cordeiro, economista do Dieese, a primeira parcela do 13º salário será destinada principalmente para pôr fim às dívidas





