São Paulo - A Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo) está retomando suas articulações junto ao governo federal para conseguir a isenção de PIS/Cofins sobre o trigo em grão, a farinha de trigo e o pão francês. No ano passado, o governo isentou da cobrança do imposto produtos como arroz, feijão e farinha de mandioca, mas os derivados de trigo, que também compõem a cesta básica, continuam recolhendo PIS/Cofins de 9,25% sobre seu valor.
''Depois de quatro tentativas de aprovar a isenção via medida provisória, vamos tentar que o governo patrocine um projeto de lei incluindo o trigo no benefício'', diz Francisco Samuel Hosken, presidente da Abitrigo. Segundo ele, a Abitrigo quer agendar até o final deste mês reuniões com ministros do governo para discutir esse assunto.
As primeiras tentativas de estender ao trigo a isenção de PIS-Cofins esbarraram na resistência da área econômica do governo, que estimava uma renúncia fiscal de R$ 1 bilhão por ano com a inclusão do cereal. A Abitrigo rebate, dizendo que o cálculo do governo extrapola porque considera isenção de imposto também para produtos derivados do trigo mais elaborados, caso dos panetones, que não fazem parte do pedido.
Nos cálculos da Abitrigo, a isenção para a farinha de trigo somaria R$ 650 milhões/ano; para o pão, R$ 120 milhões; e para o macarrão, R$ 100 milhões, num total de R$ 870 milhões/ano. ''Em princípio pedimos a isenção para os três produtos, mas aceitamos que o benefício seja dado gradativamente'', diz Hosken.
O executivo conta que a indústria decidiu voltar a procurar o governo neste mês de abril porque os números referentes à receita tributária do primeiro trimestre do ano já estão fechados. ''E o governo está vendo que tem receita de sobra'', diz Hosken. Segundo ele, em 2004 a indústria moageira recolheu R$ 485 milhões em PIS/Cofins, imposto que ''teve impacto direto no custo da farinha''.
Como a cotação do trigo subiu bastante nas últimas semanas, o que provocou reajuste no preço de derivados, o presidente da Abitrigo diz que ''o momento é ideal para dar a isenção de PIS/Cofins ao produto''. Ele ressalta que assim como o preço da farinha de trigo começou a cair no segundo semestre do ano passado, devido à desvalorização da commodity no mercado internacional, o valor agora também acompanha a reversão.
''O preço do trigo era de US$ 164 a tonelada em janeiro de 2004, passou para US$ 122 a tonelada em dezembro, caiu para US$ 108 a tonelada no início de março e agora já está em US$ 145 a tonelada. Essa alta precisa ser repassada aos preços da farinha, pois o trigo em grão representa 70% dos custos para a fabricação da farinha'', explica ele. Segundo o executivo, os preços do produto estão sendo reajustados em no mínimo 20%. ''Mas devem aumentar mais, pois se espera que o trigo ultrapasse a barreira dos US$ 165 a tonelada'', diz.

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