Abitrigo quer rever incentivo argentino
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terça-feira, 09 de setembro de 1997
Irany Tereza Agência Estado Rio 
ArquivoSabor argentinoAté fim do ano, País vai importar 500 mil t de farinha e 5 milhões de t de grãos A Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo) está reivindicando ao governo a criação de um grupo de trabalho para rever as condições de competitividade da farinha de trigo argentina. Os moinhos argentinos desfrutam de benefícios que não temos no Brasil, protesta o presidente da entidade, Antenor Barros Leal. É a mesma situação da lavoura: os produtores de lá são subsidiados e recebem todo apoio do governo. Os nossos produtores pagam altos tributos e têm que competir usando a camisa-de-força dos encargos sociais e juros altos.
Antenor garante que os empresários brasileiros não querem ter direito aos mesmos benefícios, apenas retirar o excesso de incentivos dados pela Argentina. Num mercado em bloco, a competição tem de ser igualitária, defende.
Encaminhado ao ministro da Fazenda, Pedro Malan, o pedido da Abitrigo aponta o crescimento das importações de farinha de trigo da Argentina com 100% de margem de preferência tarifária. Ainda de acordo com dados da entidade, nos primeiros sete meses de 97 foram importadas 206,8 mil toneladas de farinha da Argentina, o que representa um custo de R$ 51 milhões.
Este resultado já é superior a todo o volume importado no ano passado: 172 mil t. A Abitrigo projeta ainda que as importações atingirão este ano 500 mil t. Não estamos pedindo a suspensão de compras de farinha argentina, porque seria uma pancada no Mercosul, diz Barros Leal. Isso seria um absurdo tão grande quanto foram as restrições impostas pela Argentina ao açúcar brasileiro.
Segundo ele, os moinhos argentinos, além de receberem isenções tarifárias ao exportarem para o Brasil, são credenciados pelo governo argentino como se tivessem pago esses impostos, para obter deduções em outras tarifas.
O pedido de criação do grupo de trabalho propõe a representação de técnicos dos Ministérios da Indústria, Comércio e Turismo, Fazenda e Agricultura. Seria importante obter do governo argentino uma demonstração dos custos de produção e comércio naquele país, para levantamentos comparativos sobre taxas de juros de financiamento, custos portuários, soma de incentivos fiscais, compensações tributárias e subsídios de exportação concedidos aos moinhos argentinos, propõe Leal.
A importação de trigo em grão da Argentina pelo Brasil este ano alcançou também um volume recorde: 2,5 milhões de toneladas, nos primeiros sete meses. A previsão é de que cheguem ao fim do ano com 5 milhões de t. Não estamos pedindo medidas protecionistas para o setor, somente uma competição em bases de igualdade, afirma Leal.


