Industriais e produtores de trigo querem diminuir a carga de importação do grão e, com isso, amenizar a dependência externa e os gastos para manter o consumo no Brasil. A meta é aumentar a produção interna de 2,4 milhões (prevista para este ano) para 5 milhões de toneladas nos próximos três anos, informou ontem o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Trigo (Abitrigo), Roland Guth, durante o VII Seminário Internacional Trigo-Brasil, ralizado em Foz do Iguaçu.
O Brasil é o maior importador mundial de trigo, com um consumo estimado para este ano, em 9,3 milhões t, mas deve produzir apenas 2,4 milhões. A diferença na balança deixa o País a mercê dos preços estipulados pelo mercado internacional. A comercialização de trigo movimenta, somente no Brasil, em torno de US$ 15 bilhões/ano.
Para Guth, é preciso tornar o abastecimento menos volunerável e menos dependente das importações da Argentina, Canadá e aos Estados Unidos, principais abastecedores do mercado brasileiro. Juntos, os três países devem fornecer neste ano 7,73 milhões de toneladas. A previsão para o próximo ano é de aumento das importações na ordem de 8,4 milhões, de um total de 11,08 milhões de t que devem ser absorvidas.
Ele destaca a necessidade de investimentos em pesquisas da Embrapa, Iapar, Ocepar e Fundasep para baratear os custos da lavoura. Frisa ainda a importância dos manejos de cultivos e de novas variedades de sementes mais produtivas. ‘‘Precisamos atingir, rapidamente, num passo mais curto, a metade do nosso consumo’’, afirma o presidente da Abitrigo. ‘‘O Brasil precisa colocar em prática um programa de desenvolvimento para equilibrar as transações. Necessitamos de incentivos a produção interna’’, completa.
Guth explica que o Sul do País passaria a produzir mais, abastecendo o mercado da região e do Sudeste e Centro-Oeste. A partir daí, as importações entrariam direto pelo Norte-Nordeste, porque hoje o transporte Sul-Norte/Nordeste é muito caro. O grão importado pelo Brasil entra, principalmente, pelo Porto de Paranaguá.
O embaixador José Botafogo Gonçalves, representante oficial da presidência da República para assuntos do Mercosul, e os ministros da Agricultura e do Abastecimento, Pratini de Moraes, não compareceram ao evento, como estava previsto.

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