Abitrigo quer integrar cadeia produtiva
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sábado, 16 de agosto de 2008
Andréa Lombardo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo) quer promover a integração de toda a cadeia produtiva - produtores, moageiros e indústria da panificação - para buscar soluções conjuntas para os ''gargalos'' que emperram o crescimento do setor, investir em inovações e qualidade e conquistar mais espaço no mercado consumidor. A proposta será iniciada pelo Paraná, onde já existe uma certa aproximação entre os segmentos.
A idéia foi lançada pelo presidente da Abitrigo, Sérgio Amaral, durante sua visita ao secretário de Estado da Agricultura e Abastecimento, Valter Bianchini, e a representantes do setor, em Curitiba, esta semana. Em coletiva, sexta-feira, Amaral disse que a expectativa é de que esse projeto esteja concluído até outubro para ser apresentado aos participantes do Congresso Internacional do Trigo. O evento será realizado na Capital e, pela primeira vez, irá reunir produtores de trigo.
Amaral destacou que uma das dificuldades que o setor enfrenta é no escoamento da produção, por causa do alto custo dos fretes no mercado interno. Segundo ele, é mais caro transportar trigo do Sul para o Nordeste do que para fora do Brasil, por exemplo.
Outra pedra no sapato para os moageiros é a farinha de trigo argentina que, segundo Amaral, entra no País de forma irregular. O governo argentino subsidia a produção destinada ao mercado interno, mas é essa farinha (subsidiada) e, portanto, mais barata, que está vindo para o mercado brasileiro, o que Amaral classificou como ''concorrência desleal''. Cerca de 80% do trigo argentino entra por Foz do Iguaçu, onde os moageiros querem mais rigor na fiscalização.
A grande aposta da Abitrigo com a aproximação da cadeia é em relação à melhoria da qualidade do trigo nacional, levando em conta o maior grau de exigência por parte do consumidor. Outras cadeias produtivas, como a do café, estão investindo em produtos diferenciados com maior valor agregado em vez de vender o grão verde, exemplificou Amaral, ao falar da intenção de estender idéia semelhante à cadeia do trigo. Além de aumentar o retorno aos produtores e moageiros, o que se pretende é aumentar o consumo do grão no Brasil. A média é de 54 quilos per capita por ano. No Sul, o consumo sobe para 63 quilos, o que ainda é pouco comparado a outros países.
Ainda de acordo com Amaral, uma das possibilidades é apresentar ao consumidor variações de trigo que atendam necessidades nutricionais de diferentes faixas etárias. ''Não precisamos nos preocupar com volume. O Paraná tem uma produção enorme. Temos que pensar em como melhorar a qualidade'', afirmou.
Segundo o presidente do Sindicato da Indústria do Trigo no Paraná, Marcelo Vosnika, a indústria moageira paranaense deve atingir uma produção de 1,9 milhões de toneladas, este ano: quase 20% do total consumido no País.


