Abitrigo quer AGF urgente para aliviar produtores
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segunda-feira, 27 de agosto de 2001
Oswaldo Petrin<BR>De Londrina 
A Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo) está solicitando ao governo federal que pressione os bancos a iniciarem as operações de EGF (Empréstimo do Governo Federal) liberando, desta forma, recursos financeiros para os produtores, através das indústrias.
Em mensagem ao secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Benedito Rosa do Espírito Santo, a Abitrigo dá um quadro da realidade do campo: ''A colheita de trigo nas regiões Oeste e Norte do Paraná foi iniciada em julho e deverá ser intensificada nos próximos dias, atingindo seu ápice no mês de setembro próximo. Já foram colhidas 273 mil toneladas. Em setembro devem ser colhidas mais 1,1 milhão de toneladas.'' A carta é assinada pelo presidente da Abitrigo, Roland Guth.
A Abitrigo sugere que o governo faça prevalecer a legislação que obriga os bancos privados a aplicarem 25% dos depósitos à vista em financiamento à agricultura (exigibilidade). ''Se a legislação for cumprida, certamente vai haver recursos para a comercialização do trigo'', diz o diretor da Abitrigo, Mário Venturelli.
Preocupação Conforme informação da Abritrigo ao secretário de Política Agrícola, os produtores estão preocupados, exigindo dos moinhos a pronta aquisição da matéria-prima, conforme estabelece o Protocolo de Intenções de Garantia de Comercialização da Safra de Trigo. Esse documento prevê que o Banco do Brasil disponibilizará as linhas de crédito EGF e NPR para as indústrias moageiras para aquisição de safra.
''Fomos informados de que o Banco do Brasil S/A poderá não dispor de todos os recursos necessários, razão pela qual é indispensável a participação dos bancos privados no financiamento da comercialização do trigo, com a utilização dos recursos obrigatórios das normas e condições do Manual de Crédito Rural (MCR)'', informa o presidente da Abitrigo.
Na mesma mensagem Roland Guth afirma: ''Preocupa-nos uma rápida solução para esse assunto, devido à premência da aquisição da safra, não frustrando os produtores que foram motivados para o plantio do trigo.''
Especulação A carta da Abitrigo ao governo também defende a ''necessidade de apoiar a produção nacional de trigo, evitando-se os esquemas especulativos dos exportadores estrangeiros, que mantêm nosso País na dependência de seus interesses, resultando em maiores ônus na importação, na formação dos preços das cestas básicas e na alimentação na população de baixa renda''.
A tarifa externa comum e o mercado de trigo cativo - o Brasil é o maior importador mundial de trigo - proporcionam a manipulação de preços pelos exportadores argentinos, exigindo urgentemente das autoridades brasileiras o estabelecimento das salvaguardas necessárias para preservar a competitividade da triticultura e indústria nacional, conforme determina expressamente a Lei Federal 8.096 de 21/11/1990.


